Nível de escolaridade

Apesar dos progressos, Portugal mantém uma posição bastante desfavorável no contexto dos países europeus no que diz respeito ao nível de escolaridade da sua população.

 

Portugal era o país da UE28 cuja população adulta tinha, em 2020, níveis de escolaridade mais baixos. 44,6% da população residente com idade entre os 25 e os 64 anos não tinha ido além do ensino básico (ISCED 0-2). No países da UE28, o valor deste indicador em 2019, último ano de dados disponíveis para a UE28, era de 21,3% e em alguns Estados-membro provenientes do leste europeu ou do Báltico menos de 10% da população adulta tem baixos níveis de escolaridade.

Em relação ao ensino de nível intermédio, apenas Espanha (23,2%) apresenta um resultado pior do que Portugal. A proporção da população residente em Portugal que não foi além do ensino secundário ou pós-secundário fixou-se em cerca de 27,2%, valor bastante abaixo da percentagem apurada para o conjunto de países da UE28 em 2019 (45,5%).

A proporção da população adulta que em Portugal concluiu o ensino superior (28,2%) em 2020 é próxima da população que não foi além do ensino secundário. Na verdade, a proporção da população que em Portugal tem níveis elevados de qualificação escolar é 5,1 p.p. mais baixa face ao registado para a UE28 em 2019 – essa desigualdade é de cerca de 18,3 p.p. quando se analisa a escolarização secundária ou pós-secundária.

Em 24 dos países europeus em causa no Quadro 1, 80% ou mais da população concluiu pelo menos o ensino secundário. Em Portugal, esse valor é de cerca de 55,4%.

 

Quadro 1 - Nível de escolaridade, UE28, pop. 25-64 anos (2020) (%)

wdt_ID Países Básico Secundário ou PS Superior Pelo menos o ensino secundário
1 Lituânia 4,6 51,3 44,1 95,4
2 R. Checa 5,9 69,2 24,9 94,1
3 Polónia 6,8 60,4 32,9 93,2
4 Eslováquia 7,3 65,9 26,8 92,7
5 Letónia 8,3 53,8 37,8 91,7
6 Finlândia 8,9 43,6 47,5 91,1
7 Estónia 9,3 48,5 42,3 90,7
8 Eslovénia 9,8 54,4 35,9 90,2
9 Suiça 10,7 44,0 45,3 89,3
10 Alemanha* 13,4 56,8 29,9 86,6
Países Básico Secundário ou PS Superior Pelo menos o ensino secundário

Fonte: Education and training statistics – Labour Force Survey (Eurostat)

* – 2019

 

Como se pode observar no Quadro 2, a incidência da conclusão do ensino superior entre a população feminina é mais elevada face ao observado nos homens em quase todos os países europeus (exceto Suiça e Áustria em 2020 e Alemanha em 2019, uma vez que este é o último ano em que existem dados disponíveis para este país). Em vários países, essa diferença é superior a 10 p.p. (sendo a Estónia o caso mais discrepante, com 20,4 p.p.), no conjunto dos países da UE28 esse valor é de 4,5 p.p. em 2019 e em Portugal de 10,2 p.p. em 2020.

 

Quadro 2 - Proporção da pop. 25-64 anos que concluiu o ensino superior, UE28, por sexo (2020) (%)

wdt_ID Países Mulheres Homens Diferença p.p.
1 Estónia 52,5 32,1 20,4
2 Letónia 46,3 28,9 17,4
3 Finlândia 55,7 39,5 16,2
4 Suécia 52,2 37,3 14,9
5 Lituânia 51,1 37,0 14,1
6 Islândia 51,0 37,0 14,0
7 Eslovénia 43,0 29,3 13,7
8 Polónia 38,8 26,9 11,9
9 Noruega 51,4 39,5 11,9
10 Bulgária 35,0 23,5 11,5
Países Mulheres Homens Diferença p.p.

Fonte: Education and training statistics – Labour Force Survey (Eurostat)

* – 2019

 

O Quadro 3 contém informação acerca da proporção da população de países europeus que concluiu um nível de ensino intermédio e superior, por coorte etário. Ao se juntar o nível intermédio com o superior, constata-se que no conjunto dos países da UE28 o grupo dos 25-34 anos é o que obtém mais escolaridade, sendo predominante em 10 países. O grupo dos 20-24 anos é predominante em 9 dos países em análise, seguido do grupo 35-44, que é maioritário em oito países. Seguem-se ainda o grupo dos 45-54 anos e o grupo dos 55-64 anos (ambos com três países). Quando se tem em consideração ambos os níveis de escolarização encontram-se igualmente diferenças intra-europeias expressivas: de facto, os países em que a população mais velha possui mais escolaridade são a Alemanha em 2019, os países do Báltico e de Leste. Porém, ao se isolar o ensino superior, o grupo dos 25-34 anos é o que regista níveis de qualificação escolar mais elevados na generalidade dos países. Se na Finlândia apenas 1 p.p. afastam a incidência do ensino superior no grupo dos 25-34 anos face ao registado no coorte etário mais velho, em Portugal esse hiato é de 25 p.p..

A análise do perfil escolar da população portuguesa por grupo etário permite constatar que existe uma recomposição educativa bastante vincada: 62,9% da população com idade entre os 20-24 anos concluiu o ensino secundário, um valor bastante mais elevado em comparação com o registado na população com 55-64 anos (18,2%). Quanto à escolarização de nível superior, a sua taxa é cerca de 2,5 vezes mais elevada na população com 25-34 anos face ao observado no grupo etário mais velho considerado no Quadro 3 – a proporção da população de Portugal com idade entre os 25-34 anos que concluiu o ensino superior (41,9%) é próxima da média da UE28 em 2019 (40,9%).

 

Quadro 3 - Proporção da população que concluiu no máximo o ensino secundário ou pós-secundário e o ensino superior, UE28, por grupo etário (2020) (%)

wdt_ID Países 20-24 20-24 25-34 25-34 35-44 35-44 45-54 45-54 55-64 55-64
1 Sec./PS Sup. Sec./PS Sup. Sec./PS Sup. Sec./PS Sup. Sec./PS Sup.
2 Alemanha* 68,6 8,8 53,5 33,3 53,7 32,6 59,1 27,8 59,6 26,9
3 Áustria 58,9 27,3 47,7 41,4 49,3 39,5 53,9 31,4 55,5 25,4
4 Bélgica 56,7 29,0 37,3 48,5 37,1 48,6 39,4 40,8 36,7 32,2
5 Bulgária 79,0 6,4 49,1 33,0 52,3 33,1 56,4 27,2 58,4 23,9
6 Chipre 60,1 28,3 31,3 57,8 37,8 49,3 45,6 38,5 43,8 27,9
7 Croácia 85,9 11,3 59,5 36,6 61,2 29,7 64,3 19,0 59,6 16,9
8 Dinamarca 66,6 9,5 35,4 47,1 38,2 46,3 44,6 39,5 45,7 29,7
9 Eslováquia 75,4 14,3 53,6 39,0 65,8 28,9 73,1 20,5 73,2 17,5
10 Eslovénia 82,1 10,7 50,2 45,4 53,1 44,0 56,8 32,1 60,0 24,0
Países 20-24 20-24 25-34 25-34 35-44 35-44 45-54 45-54 55-64 55-64

Fonte: Education and training statistics – Labour Force Survey (Eurostat)

* – 2019

 

As Figuras 1 e 2 dão conta da evolução da proporção da população da UE28, da UE15 e de Portugal que concluiu pelo menos o ensino secundário e o ensino superior, respetivamente. Em ambos os casos, constata-se que ao longo de todo o período existem desigualdades de recursos educativos bastante vincadas entre Portugal e os países da União. Em 1992, apenas cerca de 1/5 da população portuguesa tinha concluído pelo menos o ensino secundário – ou seja, cerca de 4/5 não tinha ido além do ensino básico – e apenas 10,5% tinha concluído o ensino superior. No período analisado, ambos os indicadores mais do que duplicaram. Ainda assim, as distâncias verificadas face aos países europeus considerados não se atenuou de forma significativa. Em certa medida, aprofundaram-se até: em 1995, a diferença entre a proporção da população que concluiu o ensino superior em Portugal face à apurada ao nível da UE15 era de 6,4 p.p.; em 2019, esse hiato era de 8,4 p.p.. Na verdade, esse hiato aumentou de forma significativa até 2002 (12,5 p.p.), estabilizou nos anos seguintes em torno dos 12/11 p.p. e, a partir de 2011, tem vindo a diminuir.

Se a análise atentar na evolução da população que concluiu pelo menos o ensino secundário, constata-se que houve uma aproximação de facto entre os valores de Portugal face ao da UE15: em 1995, o valor apurado para o conjunto de países da UE15 era 33,6 p.p. mais elevado face ao de Portugal, em 2019 essa desigualdade, embora ainda muito expressiva, decaiu para 24,1 p.p.. Esta aproximação deve-se, no essencial, ao facto de a taxa de conclusão de um nível de ensino intermédio ter aumento de forma mais intensa em Portugal do que naquele conjunto de países.

 

 

 

Atualizado por Inês TavaresVer dados Excel