Incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida

Em 2018, 20,3% da população residente em Portugal refere não ter capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida. No que concerne à pobreza energética, Portugal é assim um dos países da UE28 com maiores dificuldades.

A Figura 1 refere-se à população que reportou incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida por país da UE28, em 2018. Em situação de maior desvantagem, com mais de 25% da população sem capacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida, estão a Bulgária (34,4%) e a Lituânia (28,5%). De resto, é na Europa de Leste e também do Sul que a pobreza energética é mais frequente. Em posições mais vantajosas estão os países da Europa Central e do Norte. Entre estes, destacam-se a Suíça (0,4%) e a Noruega (0,8%) com as proporções mais baixas de população sem capacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida.

 

Nota: *no ano de 2018 o valor do Reino Unido é provisório; **os valores referentes à Macedónia, Turquia, Irlanda e Eslováquia são referentes ao ano de 2017.

 

A Figura 2 permite analisar a evolução da população com incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida em quatro países da Europa do Sul e no conjunto de países da UE28, entre 2010 e 2018. Em 2010, Portugal era o país onde a pobreza energética era mais elevada (30%), seguindo-se a Grécia (15,5%), a Itália (11,6%) e a Espanha (7,6%). À exceção deste último, os restantes países estão em desvantagem relativamente à média da União Europeia (9,5%).

Entre 2010 e 2018, verifica-se que Portugal foi o único país da Europa do Sul a registar uma melhoria na capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida (-9,7 pontos percentuais). Ainda assim, em 2018, Portugal é o segundo país da Europa do Sul com a maior proporção da população com incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida. Nos países em análise, a posição portuguesa é ultrapassada apenas pela grega, onde se registou um agravamento na proporção da população com incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida, de 7,2 pontos percentuais entre 2010 e 2018.

 

Nota: Não existe ainda valor para UE28 em 2018.

 

A Figura 3 apresenta a incapacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida por composição do agregado familiar, em Portugal e na UE28, em 2018. De um modo geral, observa-se que, independentemente da tipologia  do agregado, a população portuguesa está sempre em desvantagem comparativamente à média da UE28.

Em Portugal, 28,2% da população residente em agregados constituídos por um adulto não tem capacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida, valor superior ao global (20,3%). Os agregados constituídos por dois adultos e duas crianças dependentes são aqueles onde a incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida é mais baixa (11,2%). Este padrão observa-se também na UE28, ainda que com uma proporção menor (5,2%).

Evidencia-se ainda que são os agregados familiares constituídos por dois adultos e uma, duas, três ou mais crianças os que manifestam menor incapacidade para manter a casa suficientemente aquecida, tanto em Portugal como na UE28. Assim, as situações de maior fragilidade correspondem a pessoas que vivem sós, a casais sem filhos e a famílias monoparentais. No caso da U28 verifica-se que as famílias monoparentais são as que apresentam maior incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida (11,8%).

Por fim, focando nos agregados com e sem crianças dependentes constata-se que na UE28 esta distinção é pouco relevante na incapacidade financeira para manter a casa aquecida (0,5 pontos percentuais). Já no caso português denota-se uma maior proporção nos agregados sem crianças dependentes face aos que têm crianças dependentes (16,1%), uma diferença percentual de 6,7.

 

 

Elaborado por Ana Filipa Cândido e Alda Botelho Azevedo

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