Incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida

Em 2019, 19% da população residente em Portugal refere não ter capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida. No que concerne à pobreza energética, Portugal é assim um dos países da UE28 com maiores dificuldades.

A Figura 1 refere-se à população que reportou incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida por país da UE28, em 2019. Em situação de maior desvantagem, com mais de 25% da população sem capacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida, estão a Macedónia (33,1%), Bulgária (30,1%) e a Lituânia (26,7%). De resto, é na Europa de Leste e também do Sul que a pobreza energética é mais frequente. Em posições mais vantajosas estão os países da Europa Central e do Norte. Entre estes, destacam-se a Suíça (0,3%) e a Noruega (1%) com as proporções mais baixas de população sem capacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida

 

 

A Figura 2 permite analisar a evolução da população com incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida em quatro países da Europa do Sul e no conjunto de países da UE28, entre 2010 e 2019. Em 2010, Portugal era o país onde a pobreza energética era mais elevada (30,1%), seguindo-se a Grécia (15,4%), a Itália (11,6%) e a Espanha (7,5%). À exceção deste último, os restantes países estão em desvantagem relativamente à média da União Europeia (9,5%).

Entre 2010 e 2019, verifica-se que Portugal foi o único país da Europa do Sul a registar uma melhoria na capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida (-11,2 pontos percentuais). Ainda assim, em 2019, Portugal é o segundo país da Europa do Sul com a maior proporção da população com incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida. Nos países em análise, a posição portuguesa é ultrapassada apenas pela grega, entre 2013 e 2018, onde se registou um agravamento na proporção da população com incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida, com uma distância entre os dois países que variou entre os 1,6 p.p. em 2013 e 6,6 p.p. em 2016.

 

 

A Figura 3 apresenta a incapacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida por composição do agregado familiar, em Portugal e na UE28, em 2018. De um modo geral, observa-se que, independentemente da tipologia  do agregado, a população portuguesa está sempre em desvantagem comparativamente à média da UE28.

Em Portugal, 26,6% da população residente em agregados constituídos por um adulto não tem capacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida, valor superior ao global (mais 17,1 p.p.). Os agregados constituídos por dois adultos e duas crianças dependentes são aqueles onde a incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida é mais baixa (10,4%). Este padrão observa-se também na UE28, ainda que com uma proporção menor (4,9%).

Evidencia-se ainda que são os agregados familiares constituídos por dois adultos e uma ou duas crianças os que manifestam menor incapacidade para manter a casa suficientemente aquecida, tanto em Portugal como na UE28. Assim, as situações de maior fragilidade correspondem a pessoas que vivem sós, a casais sem filhos e a famílias monoparentais: 1 adulto (26,6%), 1 adulto com crianças dependentes (23,3%) e 2 adultos (20,8%). No caso da U28 verifica-se que as famílias monoparentais são as que apresentam maior incapacidade financeira para manter a casa suficientemente aquecida (10,7%). Também nos casos das famílias com 3 ou mais crianças dependentes se regista uma maior incapacidade, 21,6% em Portugal e 8,1%. Estas são as famílias que revelam maior incapacidade a seguir às monoparentais. 

Por fim, focando nos agregados com e sem crianças dependentes constata-se que na UE28 esta distinção é pouco relevante na incapacidade financeira para manter a casa aquecida (0,4 p.p.). Já no caso português denota-se uma maior proporção nos agregados sem crianças dependentes face aos que têm crianças dependentes (16,1%), uma diferença de 5,8 p.p..

 

Elaborado por Ana Filipa Cândido e Alda Botelho AzevedoVer dados Excel