Anos de vida saudável

Em Portugal, em 2018, os anos de vida saudável representavam cerca de 71,9% da esperança de vida à nascença.

 

Os anos de vida saudável indicam o número de anos que os indivíduos podem esperar viver em boa saúde, ou seja, sem nenhum problema de saúde moderado ou severo (para mais informação – metadata Eurostat). A sua interpretação beneficia da relação com a esperança de vida porque quanto maior for a percentagem de anos de vida em boa saúde, melhores são as condições de saúde de uma população.

Analisando os dados relativos a Portugal no período 2011-2018 (Figura 1), em primeiro lugar, constata-se que o número de anos de vida saudável à nascença diminuiu ligeiramente. Em 2011, as mulheres à nascença poderiam esperar viver 58,6 anos de vida saudável e os homens 60,7 anos.  Já em 2018, as mulheres à nascença poderiam esperar viver 57,5 anos de vida saudável (-1,1 anos relativamente a 2011) e os homens 59,8 anos (-0,9 anos do que em 2011).  No entanto, esta redução não ocorreu linearmente ao longo do período. Em 2012 e 2013 foi registado um aumento dos anos de vida saudável, em ambos os sexos, seguindo-se uma diminuição significativa em 2014 e 2015. Assim, a posição deste indicador em 2018 é ainda resultado dessa quebra abrupta.

Em segundo lugar, evidencia-se que os homens beneficiam de uma vantagem relativamente às mulheres no que diz respeito aos anos de vida saudável. Esta diferença é maior em 2014 e 2015, de aproximadamente 3 anos, e menor em 2013, de cerca de 1,7 anos.

Em terceiro lugar, comparativamente ao número de anos de vida saudável na UE28, verifica-se que:

(1) comparando a evolução 2011-2018, observa-se, por um lado, que o número de anos de vida saudável na EU28 aumentou, enquanto que em Portugal diminuiu. Por outro lado, denota-se que o número de anos de vida saudável na UE28 é superior ao de Portugal, excetuando os anos de 2012 e 2013.

(2) contrariamente ao caso português, no contexto da União Europeia as mulheres registam consistentemente um número de anos de vida saudável superior ao dos homens. Mais, a diferença entre os sexos é menor na UE28 do que em Portugal, em média de 0,5 anos e sempre inferior a um ano.

 

 

O número de anos de vida saudável aos 65 anos sintetiza as condições de saúde nas idades mais avançadas. Entre 2011 e 2018, as principais tendências são semelhantes às anteriormente descritas (Figura 2). Contudo, é de salientar que a diferença entre os sexos no número de anos de vida saudável que os indivíduos podem esperar viver aos 65 anos é menor do que à nascença, tanto em Portugal como na UE28. Ainda assim em Portugal esta diferença é muito significativa, penalizando as mulheres. Adicionalmente, a diferença entre o número de anos de vida saudável na UE28 e em Portugal é também menor aos 65 anos comparativamente com a diferença à nascença.

 

 

Na União Europeia, em 2018, os países onde a população beneficia de mais anos de vida saudável à nascença são a Suécia e a Malta (Figura 3). Estes países, juntamente com a Noruega, são também os que apresentam mais anos de vida saudável aos 65 anos (Figura 4). No extremo oposto, com um menor número de anos de vida saudável, surge a Estónia e a Letónia (Figura 3). Este último país e a Eslováquia registam também os valores mais baixos de expectativa de anos de vida saudável aos 65 anos.

Apenas em 10 dos 30 países em análise os homens têm um número de anos de vida saudável à nascença superior ao das mulheres, um deles Portugal. Este número aumenta para 12 países no caso dos anos de vida saudável aos 65 anos (Figura 4). Em suma, de uma maneira geral, as mulheres podem esperar viver mais anos de vida saudável do que homens, tanto à nascença como aos 65 anos. No entanto, em Portugal, o inverso acontece, os homens podem esperar viver mais anos de vida saudável do que as mulheres, independentemente da idade, sendo essa diferença bastante expressiva.

Por último, em 2018, os países que apresentam as maiores diferenças entre sexos no número de anos de vida saudável à nascença são a Holanda, a Polónia, a Bulgária (aproximadamente de 4 anos), seguidos da Dinamarca, da Finlândia, da Lituânia, da Letónia e da Noruega (em torno dos 3 anos) (Figura 3). Com as diferenças menores, inferiores a um ano, surgem a Espanha, a Itália, a Grécia, a Bélgica, o Reino Unido, a Roménia e Áustria. Em suma, a diferença nos anos que homens e mulheres podem esperar viver em boa saúde tende a ser superior nos países onde o número de anos de vida saudável é mais elevado.

A figura 5 introduz a relação entre o número de anos de vida saudável que os indivíduos podem esperar viver e a esperança de vida, ambos à nascença, expressa em percentagem.  Assim, quanto maior a percentagem da esperança de vida vivida em boa saúde, melhores são as condições de saúde dos indivíduos. Em 2018, os países da União Europeia onde tal acontece são a Suécia, a Malta e a Bulgária. Os países na situação contrária, com menor número de anos de vida saudável face à esperança de vida à nascença são a Áustria, a Estónia, a Eslovénia, a Finlândia e a Letónia.

No que diz respeito à percentagem da esperança de vida vivida em boa saúde, Portugal revela uma posição intermédia no contexto da União Europeia em 2018 (Mulheres – 68% e Homens– 76,4%).

De referir ainda que, apesar das mulheres globalmente beneficiarem de mais de anos de vida saudável, quando relacionados com a esperança de vida à nascença, em todos os países da UE28 os homens podem esperar viver uma percentagem maior das suas vidas em boa saúde. Assim, comparativamente aos homens, as mulheres podem esperar viver mais anos, mas em piores condições de saúde.

Olhando para a mesma relação entre anos de vida saudável e esperança de vida, mas aos 65 anos (Figura 6), verifica-se que: (1) os países com uma expectativa de anos de vida saudável mais próxima da esperança de vida aos 65 anos são a Suécia, a Noruega e a Malta, sendo que no extremo oposto, estão a Eslováquia, a Letónia e a Croácia; e que (2) também nesta idade os homens podem esperar viver uma maior parte das suas vidas em boa saúde do que as mulheres, excetuando o caso da Irlanda.

Atualizado por Ana Filipa Cândido e Alda Botelho Azevedo

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