Esperança de vida

 Em Portugal, em 2018, a esperança de vida à nascença por sexos reunidos é de 81,5 anos, um valor ligeiramente acima dos 81 anos na UE28.

A esperança de vida à nascença refere-se ao “número médio de anos que uma pessoa à nascença pode esperar viver, mantendo-se as taxas de mortalidade por idades observadas no momento” (INE). Entre 2010 e 2018, a esperança de vida à nascença aumentou por sexos reunidos 1,4 anos (Figura 1). Esse aumento foi mais acentuado nos homens do que nas mulheres (de 1,5 e de 1,3 anos, respetivamente). Ainda assim, as mulheres continuam a beneficiar de uma esperança de vida à nascença mais longa, de 84,5 anos em 2018, do que os homens, de 78,3 anos, no mesmo período. Esta diferença entre os sexos verifica-se ao longo de todo o período 2010-2018, em média de 6,3 anos.

No conjunto dos países da UE28, entre 2010 e 2018, a esperança de vida à nascença por sexos reunidos aumentou de 79,9 anos para 81 anos (1,1). Em 2018, à nascença, os homens poderiam esperar viver 78,3 anos e as mulheres 83,6 anos, ou seja, mais 1,4 e 0,8 anos do que em 2010, respetivamente. A diferença média entre sexos para o período é de 5,3 anos.

Comparando a esperança de vida à nascença em Portugal e no contexto europeu, observa-se que: (1) tanto em Portugal como na UE28, as mulheres podem esperar viver mais anos do que os homens; (2) as mulheres em Portugal podem esperar viver mais anos do que o conjunto de mulheres na UE28; (3) os homens em Portugal podem esperar viver sensivelmente o mesmo número de anos do que os homens na UE28.

Em Portugal, em 2018, os indivíduos aos 65 anos poderiam esperar viver 20,3 anos adicionais, mais 1,3 anos do que em 2010 (Figura 2). Por sexo, os homens poderiam esperar viver mais 18,2 anos e as mulheres, mais 22,0 anos. Assim, aos 65 anos, mantém-se a vantagem feminina quanto à duração de vida, em média de 3,8 anos adicionais.

Na UE28, em 2018, a esperança de vida aos 65 anos é de 20 anos, mais 0,6 anos do que em 2010. Por sexo, em 2018, os homens na UE28, aos 65 anos, poderiam esperar viver 20 anos adicionais e as mulheres 21,5 anos. A diferença entre a esperança de vida aos 65 anos para homens e mulheres entre 2010 e 2018 é, em média, de 3,4 anos.

 

 

 

Por regiões, entre 2008-2010 e 2016-2018, é na Região Autónoma da Madeira (R. A. da Madeira) que a esperança de vida à nascença mais aumentou (2,2) e no Algarve onde o crescimento é menor (1). Para esta evolução contribuem as posições de partida em 2008-2010, mais desfavorável na R. A. da Madeira (76,1) e mais favorável no Algarve (78,9).

Em 2016-2018, a esperança de vida à nascença varia entre o valor máximo de 81,2 anos no Norte e o valor mínimo de 77,9 anos na Região Autónoma dos Açores (R. A. dos Açores). Assim, à nascença, os indivíduos no Norte esperam viver mais 3,3 anos do que os na R. A. dos Açores. Na ordenação das regiões segundo os valores de esperança de vida à nascença mais elevados, seguidamente ao Norte, surge o Centro (81,1), a Área Metropolitana de Lisboa (80,9), o Alentejo (80,2), o Algarve (79,9), a R. A. da Madeira (78,3) e por fim, a R. A. dos Açores (77,9). Note-se ainda que a esperança de vida à nascença nas regiões autónomas é bastante inferior à nas restantes regiões.

 

 

Na esperança de vida aos 65 anos por regiões portuguesas verificam-se tendências semelhantes às identificadas na esperança de vida à nascença:

(1) entre 2008-2010 e 2016-2018, regista-se um aumento do número médio de anos que as pessoas podem esperar viver aos 65 anos em todas as regiões, sendo esse aumento maior na R. A. da Madeira (1,3 anos);

(2) em 2016-2018, a esperança de vida aos 65 anos varia entre os valores máximo de 21,4 na Área Metropolitana de Lisboa e mínimo de 18,9 anos na R. A. dos Açores. Neste caso a ordenação das regiões altera-se entre triénios, sendo constante a situação de maior desvantagem nas regiões autónomas.

 

 

A Figura 5 apresenta a esperança de vida à nascença nos países europeus, por sexo, em 2018. Salienta-se o facto de nos países da UE15 a duração média de vida ser superior à observada nos países do leste europeu, do Báltico e nos Balcãs. Por países, as esperanças de vida à nascença mais altas correspondem às verificadas em Espanha, França, Suíça e Itália. No extremo oposto, com as esperanças de vida à nascença mais baixas, estão a Bulgária, a Roménia, a Hungria e a Letónia.

Por sexo, em todos os países europeus, as mulheres podem esperar viver mais tempo do que os homens. A diferença entre sexos é maior na Lituânia e na Letónia (aproximadamente de 10 anos) e menor na Islândia, na Holanda, na Noruega e na Suécia (em torno dos 3 anos).

Verifica-se ainda que a diferença no número médio de anos que homens e mulheres podem esperar viver tende a ser superior nos países onde a esperança de vida à nascença é mais baixa.

Recuando a 1970, a par da conhecida vantagem feminina na esperança de vida à nascença, constata-se que as mulheres poderiam esperar viver mais anos na Noruega (77,5), na Islândia (77,3), na Suécia (77,3) e na Holanda (76,5). Tendencialmente são também estes os países onde os homens tinham uma maior esperança de vida. Note-se ainda que estes países, juntamente com a Lituânia, foram os que apresentaram menores diferenças na esperança de vida das mulheres entre 1970 e 2018 (cerca de mais 7 anos). Complementarmente, a Espanha, a Suíça e Portugal foram os que evidenciaram um maior aumento do número médio de anos de vida esperados em ambos os sexos. Em Portugal, em 2018, as mulheres poderiam esperar viver mais 14,8 anos do que em 1970 e os homens poderiam esperar viver 14,7 anos adicionais.

A esperança de vida aos 65 anos nos países europeus, em 2018, apresenta tendências semelhantes às anteriormente descritas (Figura 7): (1) as mulheres podem esperar viver mais anos do que os homens; (2) os países que se destacam por esperanças de vida aos 65 anos mais elevadas são, novamente, a Espanha, a França, a Suíça e a Itália e aqueles onde este indicador é mais baixo são a Bulgária, a Roménia, a Hungria e a Letónia.

Relativamente à esperança de vida aos 65 anos em 1970 (Figura 8), observa-se o padrão da vantagem feminina. Contudo, a diferença entre sexos era, de uma maneira geral, menor em 1970 do que é em 2018. Por último, os países que onde se verificou um maior aumento da duração média de vida, em ambos os sexos, foram Espanha, França e Portugal. No caso português, entre 1970 e 2018, a esperança de vida das mulheres aos 65 anos aumentou 7,4 anos e a dos homens, 6 anos.

Uma perspetiva da esperança de vida à nascença por regiões no mundo, em 2018, deixa perceber grandes assimetrias (Figura 9). Nesse ano, a esperança de vida à nascença é maior na UE28 e nos países da OCDE, em ambos os sexos, e bastante menor na África subsariana e no Ásia do sul. As diferenças na longevidade das mulheres nos países da UE28 relativamente às mulheres de outras regiões do mundo são maiores na África Sub-sahariana (20,7) e na Ásia do sul (12,5). Estas assimetrias territoriais verificam-se também entre os homens, sendo que na UE28 estes podem esperar viver à nascença mais 18,9 anos do que os homens na África Sub-sahariana e mais 9,8 anos do que os na Ásia do sul.

Considerando as diferenças entre os sexos, constata-se que essas são maiores nas regiões mais desenvolvidas, como, por exemplo, na Europa e Ásia central, onde as mulheres esperam viver mais 6,7 anos do que os homens. É na Ásia do sul onde a diferença entre sexos na duração média de vida é menor, de 2,6 anos.

 

 

 

Elaborado por Ana Filipa Cândido e Alda Botelho Azevedo

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