Camas dos hospitais

O conceito de camas dos hospitais por 100.000 habitantes refere-se às camas disponíveis nos hospitais por cada 100.000 habitantes, somando as camas para cuidados curativos, as camas para cuidados de reabilitação, as camas para cuidados a longo prazo e outras camas, excluindo camas para cuidados psiquiátricos.

Ao se observar a Figura 1 nota-se uma disparidade das camas dos hospitais por 100.000 habitantes entre os países da UE28 em 2017 (último ano com dados disponíveis), sendo os países com mais camas por 100.000 habitantes a Alemanha (800,23), a Bulgária (745,40), a Áustria (736,62) e a Hungria (701,90) e os países com menos camas por 100.000 habitantes a Suécia (222,49), o Reino Unido (253,7), a Dinamarca (260,83), a Irlanda (295,73) e Espanha (297,28).

Portugal tem 339,34 camas dos hospitais por 100.000 habitantes, encontrando-se 164,96 camas por 100.000 habitantes abaixo da média da UE28 (504,3).

 

 

A Figura 2 ilustra a evolução das camas dos hospitais por 100.000 habitantes num conjunto de países europeus desde 2007 a 2017. Constata-se que na maioria dos países (tanto em análise nesta figura como na UE28) as camas têm diminuído, à exceção da Bulgária (que aumentaram 99,32 camas por 100.000 habitantes de 2007 para 2017), da Roménia (35,34 camas), da República Checa (26,23 camas) e da Polónia (20 camas).

A média da UE28 diminuiu cerca de 61,20 camas por 100.000 habitantes nos 10 anos em análise, sendo os países que mais diminuíram a Finlândia (345,21 camas), Malta (336,30), Letónia (226,53 camas) e a Irlanda (213,96 camas).

Portugal encontra-se nos países que menos camas diminuíram, tendo diminuído de 2007 para 2017 4,21 camas por 100.000 habitantes, correspondendo a um total de 1.267 camas.

 

 

A Figura 3 respeita às camas dos hospitais por 100.000 habitantes por tipo de camas, em Portugal, Alemanha, Bulgária, Espanha, Finlândia, França, Itália e Suécia em 2017. Os dados dos restantes países da UE28 para 2017, último ano com dados disponíveis, encontra-se no excel que pode ser consultado no final deste indicador.

As camas disponíveis dos hospitais (cujos dados se encontram na Figura 1) correspondem ao somatório das camas para cuidados curativos, das camas para cuidados de reabilitação, das camas para cuidados a longo prazo e de outras camas, excluindo as camas para cuidados psiquiátricos.

Em todos os países da UE28 as camas para cuidados curativos representam mais de metade das camas disponíveis dos hospitais. No entanto, se somarmos as camas para cuidados psiquiátricos às camas disponíveis dos hospitais, e embora as camas para cuidados curativos continuem a ser a maioria, tanto na França como na Letónia deixam de representar mais de metade.

O país que apresenta mais camas para cuidados curativos por 100.000 habitantes é a Bulgária (616,82 camas), seguida da Alemanha (601,50 camas) e da Lituânia (547,20 camas). Inversamente, os países que apresentam menos camas para este tipo de cuidados são a Suécia (203,60 camas), o Reino Unido (211,40 camas) e Espanha (242,61 camas). Portugal tem 324,34 camas por 100.000 habitantes, menos 47,50 camas que a média da UE28.

Dentro dos países que apresentam dados para as camas de cuidados de reabilitação (Montenegro, Noruega, Reino Unido e Suécia não apresentam), os países que possuem mais camas por 100.000 habitantes são a Alemanha (198,73 camas), a Polónia (175,52 camas) e França (158,12 camas) e os que apresentam menos são a Dinamarca (2,91 camas), a Grécia (3,15 camas), a Irlanda e a Finlândia (ambos com 3,72 camas). Portugal regista 5,30 camas por 100.000 habitantes.

Relativamente às camas para cuidados a longo prazo, não existem dados para Portugal, Montenegro, Reino Unido, Noruega, Alemanha e Luxemburgo. Dos restantes países da UE28, os que apresentam mais camas destes cuidados são a República Checa (195,78 camas), a Hungria (122,11 camas) e a Croácia (100,54 camas) e os países que têm menos camas para cuidados a longo prazo são a Polónia (1,72 camas), a Dinamarca (4,30 camas) e a Bélgica (10,24 camas).

A maioria dos países não faculta dados relativos a outras camas.

No que respeita a camas por 100.000 habitantes para cuidados psiquiátricos, a Bélgica é o país que mais camas apresenta (136,08 camas), seguido da Alemanha (128,45 camas) e da Letónia (125,11 camas). Os países com menos camas por 100.000 habitantes para cuidados psiquiátricos são a Itália (9,19 camas), a Irlanda (33,93 camas) e Espanha (36,05 camas). Portugal tem 63,68 camas por 100.000 habitantes para estes cuidados, menos 5,14 camas que a média da UE28 (68,82 camas).

No caso português, as camas para cuidados curativos representam 95,69% das camas disponíveis dos hospitais, sendo a média da UE28 para a significância das camas para cuidados curativos nas camas disponíveis dos hospitais de 73,81%, 21,88 pontos percentuais (p.p.) abaixo de Portugal.

Se se adicionarem as camas para cuidados psiquiátricas no calculo do total de camas em análise, as camas para cuidados curativos por 100.000 habitantes em Portugal assumem 80,6% das camas totais, um valor ainda bastante significativo.

 

Figura 3 – Camas dos hospitais por 100.000 habitantes por tipo de camas (2017)

 

A Figura 4 refere-se ao número de camas dos hospitais em Portugal por NUTSII e por tipo de hospital em 2018. De notar que no caso desta figura e da seguinte o indicador mede-se em número de camas totais e não em número de camas por 100.000 habitantes como nas figuras anteriores.

Compreende-se que em Portugal, das 35.429 camas disponíveis, 22.453 estão no setor público (cerca de 63%), 11.318 no setor privado (cerca de 32%) e 1.658 em parcerias público-privadas (cerca de 5%). Assim, e embora existam números relativamente semelhantes entre hospitais privados (119 no total, 87 gerais) e públicos (107 no total, 83 gerais) em Portugal, a maioria de camas de hospitais são do setor público.

É ainda de notar a maior incidência das camas disponíveis dos hospitais no setor público no Cento (cerca de 81%), no Alentejo (cerca de 84%) e no Algarve (cerca de 77%). Inversamente, nas regiões autónomas existem mais camas dos hospitais no setor privado (cerca de 52% em ambas as regiões) que no público (cerca de 48%).

Cerca de 32% das camas dos hospitais estão na região Norte, seguida da Área Metropolitana de Lisboa que apresenta cerca de 31%, do Centro com cerca de 20%, da Região Autónoma da Madeira com cerca de 5% e do Alentejo, do Algarve e da Região Autónoma dos Açores todas com cerca de 4% do total de camas dos hospitais em Portugal.

 

 

A Figura 5 ilustra o número de camas de Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) dos hospitais, por NUTSII e tipo de hospital em Portugal em 2018, último ano com dados disponíveis.

Das 1.189 camas de UCI dos hospitais existentes em Portugal, cerca de 79% (934 camas) encontram-se no serviço público, cerca de 18% (212 camas) no setor privado e cerca de 4% (43 camas) em parcerias público-privadas, apresentando o setor público uma clara maioria de camas de UCI dos hospitais.

De notar que no Alentejo e em ambas as regiões autónomas todas as camas de UCI pertencem ao setor público e no Centro cerca de 95% (164 camas) também estão no setor público.

Quando se pensa na distribuição de camas de UCI dos hospitais por regiões, constata-se uma concentração de camas na Área Metropolitana de Lisboa (514 camas, cerca de 43%), seguida do Norte com cerca de 28% e do Centro com cerca de 14%. O Algarve apresenta cerca de 6% das camas de UCI dos hospitais para a totalidade do país, seguido do Alentejo e da Região Autónoma da Madeira ambas com cerca de 3% e da Região Autónoma dos Açores com cerca de 2%.

 

 

Elaborado por Inês TavaresVer dados Excel