10,3% da populacão portuguesa encontrava-se, em 2025, numa situação de subutilização laboral.

A taxa de desemprego é o indicador tipicamente usado para analisar o aproveitamento da mão-de-obra disponível no mercado de trabalho. A emergência cada vez mais significativa de situações limítrofes ao desemprego, associadas aos tempos de trabalho involuntariamente limitados e a formas de inatividade não relacionadas, por exemplo, com a aposentação ou a incapacidade prolongada, veio problematizar esse facto. Neste âmbito, a Organização Internacional do Trabalho propôs que para além do fenómeno do desemprego fosse também medida a subutilização do trabalho, indicador em relação ao qual várias instituições têm disponibilizado informação. Do ponto de vista metodológico, enquanto a taxa de desemprego resulta da divisão dos desempregados pela população ativa (pop. desempregada + pop. empregada), a lógica que preside ao cálculo da taxa de subutilização do trabalho é diferente. Desde logo porque o seu numerador resulta da soma da taxa de desemprego e de outras três variáveis (o subemprego do trabalho a tempo parcial; os inativos à procura de emprego mas não disponíveis; e os desencorajados, isto é, os inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuram trabalho). Ou seja, tem em consideração situações estatisticamente classificadas como sendo de emprego, desemprego e inatividade. Também a lógica de formação do denominador deste indicador tem particularidades: resulta da soma da população ativa e da força de trabalho potencial (os dois tipos de inatividade mencionados), equivalendo à força de trabalho alargada (extended labour force) (ver metainformação do INE,  metainformação do Eurostat – Indicators to supplement the unemployment rate – e apresentação da ILO).

A Figura 1 permite analisar a evolução da taxa anual de desemprego e a de subutilização entre 2011 e 2025, em Portugal. De 2011 a 2013 verificou-se um aumento significativo da taxa de desemprego (na ordem dos 3,5 p.p.), tendência ainda mais expressiva no que à taxa de subutilização da força de trabalho diz respeito (aumento de cerca de 5,8 p.p.). Desde 2013 ambas as taxas progressivamente diminuíram, realidade que de grosso modo se manteve até 2025, apesar do aumento verificado em 2020 e em 2023. Em 2025, tanto a taxa de desemprego como a taxa de subutilização regista os valores mais baixos do período em análise.

É interessante constatar que desde 2013 a diferença entre a taxa de desemprego e a taxa de subutilização do trabalho tem vindo a diminuir. Ou seja, a taxa de desemprego diminuiu de forma mais expressiva desde o ano que marcou o pico da crise económica e financeira do que o indicador que tem em linha de conta situações de desemprego real e de subemprego.

 

 

A Figura 2 apresenta informação relativa à taxa de subutilização do trabalho nos países europeus, em 2025. Os países que apresentam uma taxa de subutilização do trabalho mais elevada provêm do norte e do sul da Europa. Portugal é o décimo quarto país com valores mais baixos, encontrando-se em linha com a média europeia.

 

 

A Figura 3 diz respeito ao peso relativo que cada um dos três indicadores suplementares à taxa de desemprego – indicadores esses que, com a taxa de desemprego, formam o conceito de subutilização da força de trabalho. Na maioria dos países as situações mais relevantes são o subemprego dos trabalhadores a tempo parcial  e a inatividade desencorajada (que diz respeito, no essencial, a desempregados que deixaram de acreditar que conseguiam encontrar emprego), uma vez que os inativos indisponíveis têm uma expressão bastante menor, excepção feita ao verificado na Finlândia, na Lituânia e na República Checa. Em Portugal, o grupo do subemprego é o que assume maior percentagem, com mais 12,4 pontos percentuais que os inativos desencorajados.

 

 

Atualizado por Inês Tavares

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