Portugal entre os países que registam valores mais positivos.

A taxa de mortalidade infantil refere-se  ao “número de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade observado durante um determinado período de tempo, normalmente um ano civil, referido ao número de nados vivos do mesmo período (habitualmente expressa em número de óbitos de crianças com menos de 1 ano por 1000 (10^3) nados vivos)” (INE).

A figura 1 permite analisar a evolução da taxa de mortalidade infantil em Portugal e na UE28 desde 1960. Quer em 1960, quer uma década mais tarde, o valor deste indicador em Portugal era o dobro do apurado para aquele conjunto de países. Em 1960, em cada 1000 crianças que nasceram com vida em Portugal, cerca de 78 faleceram com menos de um ano de vida. Na Noruega e na Suécia, os países com melhores resultados, esse valor era de 16/17. Em 1980, verificava-se ainda um hiato significativo entre o resultado de Portugal face ao da UE28, realidade que foi praticamente anulada até ao ano de 1990. A década seguinte representa um período de consolidação dessa equivalência e no novo milénio o resultado de Portugal é melhor do que o observado neste universo de países. Em 2017, a taxa de mortalidade infantil em Portugal era de 2,6 óbitos, um  valor cerca de 30 vezes inferior ao de 1960.

 

 

Os países nórdicos, mas também a Eslovénia e a Estónia, são os países europeus que apresentam taxas de mortalidade infantil mais baixas, contudo, em 2017 registaram ligeiras subidas, exceptuando a Suécia (Quadro 2). Montenegro foi o país que apresentou a maior variação negativa -2,1, constando, em 2017, uma taxa de mortalidade infantil de 1,30, isto é cerca de 1,3 óbitos em cada 1000 crianças que nasceram. Na Islândia, esse valor é inferior a 1. O resultado de Portugal suplantava, em 2016, o apurado para os países da UE28, registando ainda uma variação negativa de -0,5, em 2017. No universo dos países europeus existem desigualdades consideráveis no que a este indicador diz respeito, sendo que esse hiato define-se principalmente entre os que pertencem à UE (que têm resultados mais positivos) e os que não pertencem à União. Frisa-se também que as taxas de mortalidade infantil com valores mais elevados são as referentes a Azerbaijão e Georgia. No caso do primeiro esta taxa aumentou entre 2016 e 2017 cerca de 1,4 óbitos, e, no que diz respeito à segunda, subiu 0,60.

 

 

Quadro 1. Taxa de mortalidade nos países europeus (2016 e 2017) (permilagem)

wdt_ID País 2016 2017
1 Islândia 0,70 2,70
2 Finlândia 1,90 2,00
3 Eslovénia 2,00 2,10
4 Noruega 2,20 2,30
5 Estónia 2,30 2,30
6 Suécia 2,50 2,40
7 Chipre 2,60 1,30
8 Espanha 2,70 2,70
9 R. Checa 2,80 2,70
10 Itália 2,80 2,70
País 2016 2017
Fonte: Population and migration statistics em linha (Eurostat)
Nota: Valor da *Rússia refere-se a 2014. O valor da **Moldávia refere-se a 2016.

 

A taxa de mortalidade infantil à escala global situa-se ao nível da observada em Portugal em meados dos anos de 1970: 31,6 óbitos. A Figura 2 permite concluir que existem no plano global desigualdades muito elevadas. Em 2015, a taxa de mortalidade infantil na África sub-sahariana, semelhante à registada em Portugal em 1970, era 16 vezes mais elevada do que nos países da UE28. Embora menor, essa desproporção é também muito vincada quando se compara este grupo de países europeus com as regiões do mundo consideradas na figura.

Mortalidade infantil_figura 2

 

Atualizado por Ana Filipa Cândido

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