A proporção da população em sobrecarga das despesas em habitação em Portugal (5,7%) é inferior à média da UE27 (9,4%), tendência que se tem mantido constante.

 

A taxa de sobrecarga das despesas em habitação reflete a proporção da população que vive em agregados familiares cujos gastos em habitação (depois das transferências sociais relativas à mesma) representam 40% ou mais do rendimento disponível.

A Figura 1 apresenta a taxa de sobrecarga das despesas em habitação nos países da UE27, em 2019. É na Grécia que uma maior proporção da população residente vive em agregados familiares em situação de sobrecarga das despesas em habitação (36,2%), seguindo-se a Bulgária (16% em 2019 e 14,4% em 2020), a Suiça (14,2%) e a Dinamarca (15,6% em 2019 e 14,1% em 2020). Com as menores taxas de sobrecarga das despesas em habitação nos países da UE27, em 2019, surgem o Chipre (2,3%), Malta (2,6%), a Finlândia (4,0% de 2019 e 4,1% em 2020) e a Eslovénia (4,1%).

 

* Dados relativos a 2020.

 

A Figura 2 diz respeito à taxa de sobrecarga das despesas em habitação por grupo etário em Portugal e na UE27, em 2019. Em todos os grupos etários, Portugal apresenta uma proporção da população que vive em agregados familiares em situação de sobrecarga das despesas com a habitação inferior à média da UE27. É entre os 65 e mais anos que a esta diferença é maior, cerca de 6,8 pontos percentuais (3,2% em Portugal e 10% na UE27). O grupo etário dos indivíduos com idade inferior a 18 anos é aquele em que Portugal e a UE27 são mais próximos, com uma diferença de 1,1 pontos percentuais. É no grupo etário dos mais de 65 anos que se verificam taxas de sobrecarga das despesas em habitação mais elevadas na UE27 e no grupo etário dos menores de 18 anos no caso português. De facto, enquanto que na UE27 os valores aumentam à medida que se avança nos escalões etários, em Portugal existe a tendência contrária.

 

 

A Figura 3 apresenta a taxa de sobrecarga das despesas em habitação segundo a situação perante a pobreza nos países da UE27.

A Grécia mantém a posição de desvantagem relativamente aos seus pares, com a mais alta taxa de sobrecarga das despesas em habitação, independentemente da situação perante a pobreza. Portugal situa-se em vantagem relativamente à média da UE27, com uma proporção de população a viver em agregados em sobrecarga das despesas em habitação mais baixa, independentemente da situação perante a pobreza.

A Dinamarca e a Grécia são os países nos quais a taxa de sobrecarga das despesas em habitação mais varia consoante o risco de pobreza (63,7 p.p. e 63,4 p.p., respetivamente), seguindo-se a Suiça com 48,7 pontos percentuais. Os países com uma diferença da taxa consoante o risco de pobreza menor são Malta (8 pontos percentuais), Estónia (8,7 p.p.) e o Chipre (9,4 pontos percentuais).

 

* Dados relativos a 2020.

 

A evolução da taxa de sobrecarga das despesas em habitação em Portugal e na UE27, entre 2010 e 2019 (Figura 4) mostra que a taxa de sobrecarga das despesas em habitação em Portugal tem sido sempre inferior à da média da UE27. Não obstante, em Portugal a taxa tem tido um comportamento irregular, oscilando entre os 4,2% e os 9,2%, com um aumento progressivo de 2010 a 2014 e, a partir desse ano, tem-se verificado uma diminuição.

 

 

Atualizado por Inês Tavares

Elaborado por Inês Tavares e Alda Botelho Azevedo

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