A proporção da população em sobrecarga das despesas em habitação em Portugal (5,7%) é inferior à média da UE28 (9,9%), tendência que se tem mantido constante.

 

A taxa de sobrecarga das despesas em habitação reflete a proporção da população que vive em agregados familiares cujos gastos em habitação (depois das transferências sociais relativas à mesma) representam 40% ou mais do rendimento disponível.

A Figura 1 apresenta a taxa de sobrecarga das despesas em habitação nos países da UE28, em 2018. É na Grécia que uma maior proporção da população residente vive em agregados familiares em situação de sobrecarga das despesas em habitação (39,5%), seguindo-se a Bulgária (17,9%) e a Dinamarca (14,7%). Com as menores taxas de sobrecarga das despesas em habitação nos países da UE28, em 2018, surgem Malta (1,7%), o Chipre (2%) e a Estónia (4%).

 

* Dados relativos ao último ano disponível.

 

A Figura 2 diz respeito à taxa de sobrecarga das despesas em habitação por grupo etário em Portugal e na UE28, em 2018. Em todos os grupos etários, Portugal apresenta uma proporção da população que vive em agregados familiares em situação de sobrecarga das despesas com a habitação inferior à média da UE28. É entre os 65 e mais anos que a esta diferença é maior, cerca de 6 pontos percentuais (3,5% em Portugal e 9,8% na UE28). O grupo etário dos indivíduos com idade inferior a 18 anos é aquele em que Portugal e a UE28 são mais próximos, com uma diferença de 2 pontos percentuais. É no grupo etário dos 18 aos 64 anos que se verificam taxas de sobrecarga das despesas em habitação mais elevadas na UE28 e no grupo etário dos menores de 18 anos no caso português. Na UE28, este grupo está mais próximo do grupo etário dos 65 e mais anos. No caso português, os indivíduos com menos de 18 anos aproximam-se mais do grupo etário entre os 18 e os 64 anos.

 

 

A Figura 3 apresenta a taxa de sobrecarga das despesas em habitação segundo a situação perante a pobreza nos países da UE28.

A Grécia mantém a posição de desvantagem relativamente aos seus pares, com a mais alta taxa de sobrecarga das despesas em habitação, independentemente da situação perante a pobreza. Portugal situa-se em vantagem relativamente à média da UE28, com uma proporção de população a viver em agregados em sobrecarga das despesas em habitação mais baixa, independentemente da situação perante a pobreza.

Tanto nos casos da Grécia como da Dinamarca, a taxa de sobrecarga das despesas em habitação varia 62,9 pontos percentuais consoante o risco de pobreza, seguindo-se a Noruega com 44,7 pontos percentuais. Os países com uma diferença da taxa consoante o risco de pobreza menor são Malta (4,7 pontos percentuais) e o Chipre (5,4 pontos percentuais).

 

* Dados relativos ao último ano disponível.

 

A evolução da taxa de sobrecarga das despesas em habitação em Portugal e na UE27, entre 2005 e 2018 (Figura 4) mostra que a taxa de sobrecarga das despesas em habitação em Portugal tem sido sempre inferior à da média da UE27. Não obstante, em Portugal a taxa tem tido um comportamento irregular, oscilando entre os 4,2% e os 9,2%.

 

 

Elaborado por Inês Tavares e Alda Botelho Azevedo

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