O número de devedores de empréstimos concedidos pelo setor financeiro a famílias com a finalidade habitação, em Portugal, regista um declínio constante desde 2021 até 2023, após ter subido ligeiramente entre 2019 e 2020. Desde 2012 que a tendência apontava para uma descida contínua.

 

Observando a Figura 1, constata-se que, após uma evolução positiva entre 2009 e 2011 (de +95.300 devedores, face aos 2.750.000 em 2009), o número de devedores de empréstimos concedidos pelo setor financeiro a famílias com a finalidade habitação regista uma progressiva diminuição entre 2012 e 2018 (de -129.900 devedores, face aos 2.219.900 registados em 2012). Entre 2019 e 2020 verifica-se novamente um ligeiro aumento (de +21.900 devedores em relação a 2018), que é no entanto invertido a partir de 2021, culminando em 2023 num mínimo histórico, durante o período analisado, de 1.982.800 famílias devedoras de empréstimos à habitação (representando a descida mais célere e expressiva dentro do período analisado, de -130.100 devedores face a 2020).

 

 

Observando esta informação por NUTS II, verifica-se que o número de devedores de empréstimos concedidos pelo setor financeiro a famílias com a finalidade habitação (Figura 2): (i) é relativamente constante no período em análise (2009 a 2023) em todas as regiões, exceto no Norte e na Grande Lisboa, onde se regista, respetivamente, um aumento entre 2019 e 2022 (+13.500 devedores, face a 2018) e uma diminuição entre 2019 e 2023 (-44.700 devedores, face a 2018); (ii) é maior nas regiões do Norte e da Grande Lisboa, seguidos do Centro, e menor nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Esta hierarquia de regiões segundo o número de empréstimos mantém-se ao longo do período analisado.

 

 

A percentagem de devedores com crédito vencido na habitação (Figura 3) diminuiu entre 2009 e 2022, de 5,2% para 1,6% (-3,6 p.p.). Todavia, entre 2011 e 2014 verificou-se uma ligeira subida de +0,8 p.p.. Desde 2015  que a percentagem de devedores em incumprimento tem registado uma diminuição progressiva, até 2023, quando ocorre um ligeiro aumento de 1,6% para 1,7%.

 

 

A Figura 4 apresenta a perspetiva regional, por NUTS II, da percentagem de devedores com crédito vencido dos empréstimos concedidos a famílias com a finalidade habitação. Em 2009, a Península de Setúbal, a região do Oeste e Vale do Tejo e o Norte eram as únicas com uma percentagem de devedores superior à média nacional (respetivamente, 6,8%, 5,5% e 5,4%, face à média nacional de 5,2%). Entre 2010 e 2014/2015, constatou-se o aumento da percentagem de devedores em quase todas as regiões. Neste período, o Norte e o Centro apresentaram valores mais estáveis. Do ano de 2015 adiante verifica-se uma diminuição progressiva em todas as regiões e uma aproximação entre estas. Em 2023, registam-se ligeiros aumentos no Alentejo (de 1,9 para 2,1%), no Algarve e no Centro (ambos de 1,4 para 1,6%) no Oeste e Vale do Tejo (de 1,9 para 2%) e no Norte (de 1,4 para 1,5%), estabilizando nas restantes regiões em mínimos históricos, dentro do período analisado. As regiões da Grande Lisboa, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo e Península de Setúbal situavam-se, em 2023, acima da média nacional de devedores em situação de incumprimento no pagamento dos créditos à habitação.

 

 

O rácio de crédito vencido das famílias com a finalidade habitação, usualmente expresso em percentagem, relaciona o valor monetário em situação de incumprimento e o valor concedido através de crédito (Figura 5). Entre 2009 e 2023, este rácio dá conta de uma diminuição de 1,7% para 0,2%, (menos 1,5 pontos percentuais). Todavia, esta evolução não foi constante. O rácio aumentou progressivamente entre 2011 e 2014 (de 1,7% para 2,5%) e desde 2016 este tem vindo a decrescer.

 

 

Notas metodológicas

[1] Os dados relativos aos empréstimos concedidos pelo setor financeiro a famílias com finalidade habitação referem-se ao último mês de cada ano. A utilização dos dados do último mês é o método de conversão para periodicidade superior recomendado pelo Banco de Portugal.

[2] A classificação das NUTS II mudou a partir de 2024, impactando especificamente os cálculos para as antigas NUTS II da Área Metropolitana de Lisboa, do Alentejo e do Centro.

 

Atualizado por Adriana Albuquerque (24/05/2024)

Atualizado por Ana Filipa Cândido

Elaborado por Alda Botelho Azevedo

 

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