Em Portugal, a taxa de desemprego situa-se nos 6,5% em 2023. Entre 2000 e 2013, este indicador aumentou consecutivamente (de 3,9% para 17,1%), diminuindo progressivamente até 2019 (6,6%, -11,1 p.p.). Em 2020 voltou a aumentar (+0,4 p.p. face a 2019), tendo desde então oscilado entre os 6,1% e os 6,7%.
A Figura 1 dá conta da evolução das taxas de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e da taxa de desemprego em Portugal, entre 2002 e 2023. Existe uma relação entre o ritmo do crescimento económico e a evolução do desemprego. A situação do desemprego agrava-se ou melhora, regra geral, conforme se verifique um crescimento ou uma quebra da taxa de evolução do PIB. A contração do crescimento do PIB em 2009, por exemplo, foi acompanhada por um aumento do desemprego em cerca de 3,5 p.p.. Ao longo do período em análise, os níveis de desemprego foram consecutivamente aumentando até 2013, ano em que a taxa de desemprego começa progressivamente a descer até 2020, ano em que aumenta ligeiramente (0,3 p.p.). Ao mesmo tempo, a taxa de variação do PIB cai significativamente entre 2019 e 2020 (de um valor positivo de 2,7% para -8,4%, cerca de -11,1 p.p.), resultado da crise pandémica verificada neste último ano. Verifica-se uma recuperação significativa do PIB já em 2021 (5,8%), ainda que menos expressiva em 2023 (2,1%, -3,7 p.p.).
A Figura 2 permite analisar a evolução da taxa de desemprego, entre 1998 e 2023, segundo o sexo. Com exceção do ano de 2012, em que os homens apresentam uma taxa de desemprego superior à das mulheres em 0,2 p.p., estas são sempre mais afetadas pelo desemprego que os homens. Em 2023, 6,1% dos homens em idade ativa encontravam-se desempregados, face a 6,9% das mulheres (-0,8 p.p.). Porém, desde 2009 que tem sido evidente uma aproximação do nível de desemprego masculino e feminino. Em 2013, a taxa de desemprego (com uma diferença de 0,1 p.p. entre mulheres e homens) atinge os 17,1%, o valor mais elevado de toda a série temporal, tendo diminuído progressivamente a partir deste ano até 2019. A partir de 2017, a diminuição da taxa de desemprego total começa a ser acompanhada por um novo aumento do gap entre homens e mulheres, em desfavor destas. A nova aproximação de ambos os sexos em 2020, ano da pandemia e de um aumento da taxa de desemprego total, parece sugerir que os momentos de crise tendem a atenuar as desigualdades de género face ao desemprego, devido ao agravamento mais célere do desemprego masculino face ao feminino (de 2019 para 2020, a taxa de desemprego aumentou no total +0,4 p.p. e nos homens +0,8 p.p., mas desceu ligeiramente nas mulheres -0,1 p.p.).
O Quadro 1 ilustra a evolução do número de empregados e desempregados em Portugal entre 2007 e 2023. Entre o início e o fim do período analisado, Portugal perdeu -114 mil pessoas empregadas, ao mesmo tempo que registou um decréscimo de -94 mil pessoas desempregadas – estes números refletem a diminuição do contingente de população ativa que tem acompanhado o envelhecimento da pirâmide etária portuguesa. No período considerado, 2013 marca o ano onde o número de população empregada é o menor (4145,8 milhares) e o número de desempregados é o maior (854,7 milhares): de 2007 a 2013, existem -946,7 mil pessoas empregadas e +414,1 mil desempregadas. No entanto, os valores parecem inverter esta trajetória a partir de 2013, verificando-se até 2019 um aumento de +630,4 mil pessoas empregadas e uma diminuição de -515,2 mil pessoas desempregadas. De facto, 2019 é o ano em que a população desempregada em Portugal atinge os valores mais baixos do período considerado. No entanto, de 2019 para 2020, verificou-se uma diminuição de -104,5 mil pessoas empregadas e um aumento de +10,8 mil pessoas desempregadas, apontando para um impacto imediato da pandemia no desemprego. Em 2021, o número de pessoas empregadas e desempregadas tinha recuperado quase até aos níveis pré-pandémicos; no entanto, ao passo que o contingente de pessoas empregadas tem aumentado consistentemente, atingindo em 2023 o valor mais elevado desde 2008, regista-se também um aumento do número de pessoas desempregadas entre 2022 e 2023 (+27,5 mil).
Quadro 1 - Evolução do número de empregados e desempregados por sexo, Portugal (2007-2023) (milhares)
| wdt_ID | Anos | Empregados | Empregados | Empregados | Desempregados | Desempregados | Desempregados |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Anos | Total | H | M | Total | H | M |
| 2 | 2007 | 5093 | 2725 | 2367 | 441 | 192 | 248 |
| 3 | 2008 | 5117 | 2725 | 2391 | 418 | 189 | 229 |
| 4 | 2009 | 4969 | 2612 | 2357 | 517 | 253 | 265 |
| 5 | 2010 | 4898 | 2569 | 2329 | 591 | 278 | 314 |
| 6 | 2011 | 4430 | 2319 | 2111 | 688 | 350 | 338 |
| 7 | 2012 | 4224 | 2176 | 2047 | 836 | 434 | 402 |
| 8 | 2013 | 4146 | 2121 | 2024 | 855 | 436 | 419 |
| 9 | 2014 | 4267 | 2175 | 2092 | 726 | 361 | 365 |
| 10 | 2015 | 4350 | 2211 | 2139 | 646 | 323 | 323 |
| 11 | 2016 | 4430 | 2249 | 2181 | 573 | 291 | 282 |
| 12 | 2017 | 4591 | 2337 | 2254 | 462 | 224 | 239 |
| 13 | 2018 | 4719 | 2393 | 2326 | 366 | 175 | 191 |
| 14 | 2019 | 4776 | 2418 | 2359 | 340 | 154 | 185 |
| 15 | 2020 | 4672 | 2348 | 2323 | 350 | 171 | 180 |
| 16 | 2021 | 4775 | 2415 | 2359 | 343 | 163 | 180 |
| 17 | 2022 | 4881 | 2461 | 2420 | 319 | 147 | 172 |
| 18 | 2023 | 4979 | 2505 | 2473 | 347 | 164 | 183 |
| Anos | Empregados | Empregados | Empregados | Desempregados | Desempregados | Desempregados |
Fonte: Estatísticas do mercado de trabalho – Inquérito ao Emprego (INE); séries de 1998, 2011 (revista) e 2021
Nota: Dados de 2011 a 2020 revistos em 2024, de acordo com as estimativas do INE, devido às quebras de série de 2011 e 2021. A partir de 2021, os limites etários para o cálculo do (des)emprego passaram a ser dos 15 aos 74 anos de idade.
O Quadro 2 mostra a decomposição do desemprego em 2023 pelas características sociodemográficas da população ativa. Analisando a composição relativa da população desempregada, vemos que: 52,7% é do sexo feminino; quase metade encontra-se na faixa etária dos 16 aos 34 anos (45,8%); a maior fatia tem ensino secundário ou pós-secundário completo (37,2%); 37,9% residem no Norte do país e 30,2% na AML.
A taxa de desemprego permite identificar os grupos mais e menos vulneráveis ao desemprego. No que toca à idade, são os jovens entre os 16 e os 24 anos que têm a taxa de desemprego mais elevada (20,3%), representando um aumento de +12,5 p.p. face aos jovens entre os 25 e os 34 anos de idade; em oposição, é entre as pessoas com 65 ou mais anos que a taxa de desemprego é menor (3%), seguidos dos indivíduos entre os 45 e os 54 anos (4,4%).
Os indivíduos com um diploma de ensino superior são os que apresentam a taxa de desemprego mais baixa (4,6%), seguidos dos que têm o 1.º ciclo do ensino básico completo (6,4%). Pelo contrário, o desemprego é maior entre as pessoas com o 3.º ciclo completo (7,9%), seguidas de perto das que têm o ensino secundário ou pós-secundário (7,5%). Em 2023, o número de pessoas em idade ativa sem qualquer nível de escolaridade era residual, não sendo possível calcular taxa de desemprego para esse grupo.
A Área Metropolitana de Lisboa apresenta a taxa de desemprego mais elevada (7,2%), seguida do Norte (7%) e dos Açores (6,4%); em contratendência, encontra-se o Centro do país, com a taxa de desemprego mais baixa (5,2%), seguido da região autónoma da Madeira (5,9%).
Quadro 2 - Decomposição do desemprego, Portugal (2023)
| wdt_ID | Variáveis | Nº de desempregados (milhares | Peso relativo | Taxa de desemprego (%) |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Total | 346,6 | 100,0 | 6,5 |
| 2 | Homens | 163,9 | 47,3 | 6,1 |
| 3 | Mulheres | 182,8 | 52,7 | 6,9 |
| 4 | Idade | |||
| 5 | 16-24 anos | 78,0 | 22,5 | 20,3 |
| 6 | 25-34 anos | 80,8 | 23,3 | 7,8 |
| 7 | 35-44 anos | 63,1 | 18,2 | 5,1 |
| 8 | 45-54 anos | 62,1 | 17,9 | 4,4 |
| 9 | 55-64 anos | 56,0 | 16,2 | 5,4 |
| 10 | 65 ou mais anos | 6,6 | 1,9 | 3,0 |
| 11 | Nível de escolaridade | |||
| 12 | Nenhum | - | - | - |
| 13 | 1º ciclo | 24,4 | 7,0 | 6,4 |
| 14 | 2º ciclo | 34,0 | 9,8 | 6,9 |
| 15 | 3º ciclo | 79,6 | 23,0 | 7,9 |
| 16 | Secundário e Pós-secundário | 129,0 | 37,2 | 7,5 |
| 17 | Superior | 77,6 | 22,4 | 4,6 |
| 18 | Regiões | |||
| 19 | Norte | 131,3 | 37,9 | 7,0 |
| 20 | Centro | 60,6 | 17,5 | 5,2 |
| 21 | Área Metropolitana de Lisboa | 104,6 | 30,2 | 7,2 |
| 22 | Alentejo | 21,1 | 6,1 | 6,0 |
| 23 | Algarve | 12,7 | 3,7 | 5,7 |
| 24 | RA Açores | 8,1 | 2,3 | 6,4 |
| 25 | RA Madeira | 8,1 | 2,3 | 5,9 |
| Variáveis | Nº de desempregados (milhares | Peso relativo | Taxa de desemprego (%) |
Fonte: Estatísticas do mercado de trabalho – Inquérito ao Emprego (INE); série 2021
Vemos no Quadro 3 que, em 2023, 76 mil pessoas desempregadas em Portugal encontravam-se sem emprego há 8 anos (21,9%); esta situação é proporcionalmente superior entre os homens (23,4%, +2,8 p.p. face às mulheres).
Globalmente, é entre as profissões dos serviços e vendas que se regista a maior prevalência do desemprego (21,8%); no entanto, as diferenças de género são relevantes, sendo esta proporção muito superior entre as mulheres (29,3% das que estão desempregadas apontam os serviços e vendas como a sua última ocupação, +16 p.p. face aos homens). As profissões elementares / não-qualificadas são as segundas ex-ocupações mais frequentes entre os desempregados (13%), com particular relevância entre as mulheres (16,1%, +6,5 p.p. do que os homens). Seguem-se os operários e artífices (8,5%) e os profissionais das atividades intelectuais e científicas (8,3%), com diferenças de género inversas: entre os ex-operários, contam-se sobretudo homens (15,7%, +13,6 p.p. face às mulheres) e, entre as prévias ocupações intelectuais, há uma ligeira prevalência de mulheres desempregadas (9,4%, +2,3 p.p. do que os homens).
Em oposição, os agricultores qualificados (1,3%) e as chefias e direções (2,5%) são as ex-ocupações menos frequentes das pessoas desempregadas em Portugal, em 2023.
Quadro 3. Ocupação anterior dos desempregados, por sexo, Portugal (2023), milhares e %
| wdt_ID | Ocupação anterior (ISCO-08) | Total (milhares) | Total (%) | Homens (milhares) | Homens (%) | Mulheres (milhares) | Mulheres (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2 | Total | 347 | 100,0 | 164 | 100,0 | 183 | 100,0 |
| 3 | Chefia e direção | 9 | 2,5 | 5 | 2,9 | 4 | 2,1 |
| 4 | At. Intelectuais e científicas | 29 | 8,3 | 12 | 7,1 | 17 | 9,4 |
| 5 | Técnicos intermédios | 24 | 7,0 | 14 | 8,5 | 10 | 5,6 |
| 6 | Administrativos | 27 | 7,7 | 11 | 6,8 | 16 | 8,5 |
| 7 | Serviços e vendedores | 75 | 21,8 | 22 | 13,3 | 54 | 29,3 |
| 8 | Agricultores qualificados | 5 | 1,3 | n/d | n/d | n/d | n/d |
| 9 | Operários e artífices | 30 | 8,5 | 26 | 15,7 | 4 | 2,1 |
| 10 | Operadores máquinas | 26 | 7,4 | 15 | 9,3 | 11 | 5,7 |
| 11 | Trab. não-qualificados | 45 | 13,0 | 16 | 9,6 | 30 | 16,1 |
| 12 | N/A: Sem emprego nos últimos 8 anos | 76 | 21,9 | 38 | 23,4 | 38 | 20,6 |
| Ocupação anterior (ISCO-08) | Total (milhares) | Total (%) | Homens (milhares) | Homens (%) | Mulheres (milhares) | Mulheres (%) |
Fonte: EUROSTAT – Labour Force Survey (detailed annual survey results – total unemployment).
Legenda: n/a: não se aplica; n/d: dados indisponíveis
Nota: os valores totais não correspondem à soma das células, devido à falta de dados sobre as profissões das forças armadas e dos valores residuais das ocupações qualificadas da agricultura e similares, que não permitem calcular as percentagens por sexo.
Atualizado por Adriana Albuquerque
Elaborado por Inês Tavares

