As mulheres, os mais jovens e os menos escolarizados são os grupos mais afetados por este tipo de situações.

A taxa de subutilização da força de trabalho é um indicador estatístico através do qual é possível complementar e aprofundar a análise do desemprego, alargando o alcance da mesma a situações próximas deste fenómeno (ver metainformação do INE,  metainformação do Eurostat – Indicators to supplement the unemployment rate – e apresentação da ILO). Tal como se evidenciou aqui, a taxa de subutilização do trabalho é, em Portugal e em vários países europeus, significativamente superior à taxa de desemprego.

Do ponto de vista da composição social da população que se enquadra nesta categoria, constata-se que as mulheres são mais abrangidas por este fenómeno do que os homens, mantendo-se a diferença entre homens e mulheres relativamente regular ao longo do período em análise.

 

 

Embora o INE não disponibilize informação suficientemente detalhada em relação à incidência da subutilização laboral por grupo etário, é possível constatar que os mais novos (15-24 anos) apresentam para este indicador valores muito acima do apurado para a média da população portuguesa e para os outros dois grupos analisados na Figura 2. Veja-se que, entre 2012 e 2015, mais de metade da população com idade entre 15 e os 24 anos encontrava-se numa situação de subutilização laboral, tendo a grandeza desse indicador diminuído de forma regular nos anos seguintes.

 

 

A Figura 3 demonstra que existe uma desigualdade significativa no que diz respeito à incidência da subutilização do trabalho de acordo com o nível de escolaridade. De facto, a taxa de subutilização da população que não foi além do ensino básico é 5,4 p.p. mais elevada do que a dos que concluíram o ensino superior.

A taxa de subutilização da população que não foi além do ensino secundário ou pós secundário aproxima-se mais da verificada entre os que não foram além do básico do que da população com formação superior. De facto, para o ano de 2018, as taxas de subutilização da população que não foi além do ensino básico é de cerca de 15,3% e da população que não foi além do ensino secundário e pós-secundário é de 14,5%, enquanto que a taxa de subutilização da população com ensino superior é de 9,9%.

 

 

As duas tabelas seguintes contêm informação relativa à composição dos indicadores suplementares de desemprego, de acordo  com a variável sexo e nível de escolaridade. Os indicadores suplementares de desemprego usados são: o subemprego dos trabalhadores a tempo parcial; os inativos indisponíveis e os  inativos desencorajados, isto é, os inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuram trabalho.

Entre os três indicadores suplementares de desemprego, aquele em que existe uma maior desigualdade entre homens e mulheres é, destacadamente, o subemprego. Em quase todos os países o subemprego feminino é mais elevado do que o masculino. É interessante constatar que a maior parte dos países em que essa desproporção é mais expressiva são Luxemburgo, República Checa, Suiça, França, Áustria, Espanha, Alemanha, Bélgica, sendo muitos destes dos países mais ricos da Europa. O país que apresenta um maior desnível entre a percentagem de mulheres e de homens no total dessa população é o Luxemburgo, em que existe uma diferença de cerca de 62,5% entre homens e mulheres. Em Portugal, essa diferença é de cerca de 29 p.p., abaixo do valor apurado para os países da UE-28 (32,3 p.p.).

Em relação aos inativos indisponíveis, existe um desnível de 11 p.p. entre o valor apurado para as  mulheres e para os homens no quadro dos países da UE-28. Dos três indicadores analisados, este é o que apresenta assimetrias de género mais esbatidas.

No que diz respeito às desigualdades entre homens e mulheres no universo dos inativos desencorajados (indivíduos que deixam de procurar trabalho, embora estejam disponíveis para trabalhar), as desigualdades mais expressivas entre mulheres e homens tendem a verificar-se em países no sul da Europa, nomeadamente na Grécia, em Espanha e na Croácia, sendo também de assinalar a República Checa.

 

Quadro 1 - Composição dos indicadores suplementares de desemprego, UE28, pop. 15-74 anos, por sexo (2018) (%)

wdt_ID Países Subemprego Subemprego Indisponíveis Indisponíveis Desencorajados Desencorajados
1 Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres
2 UE28 33.8 66.2 44.5 55.5 43.7 56.3
3 Bélgica 32.7 67.3 43.4 56.6 47.1 52.9
4 Bulgária 50.3 49.7 52.6 47.4 52.7 47.3
5 R. Checa 26.8 73.2 37.5 61.8 37.7 62.3
6 Dinamarca 35.6 64.3 45.8 54.2 56.2 43.8
7 Alemanha 29.8 70.2 51.5 48.5 49.3 50.7
8 Estónia 48.6 51.4 39.0 59.3 47.7 52.3
9 Irlanda 42.1 57.8 47.3 52.7 46.6 53.4
10 Grécia 45.5 54.5 36.9 63.1 27.5 72.5
Países Subemprego Subemprego Indisponíveis Indisponíveis Desencorajados Desencorajados

Fonte: Employment and unemployment statistics – Labour Force Survey (Eurostat)

 

O Quadro 2 apresenta informação para a composição escolar dos subempregados e dos desencorajados. Introduziram-se também dados relativos à composição escolar do total da população de cada país (neste caso, com idade entre os 15-64 anos) com o intuito de controlar a sua amplitude nos dois indicadores suplementares de desemprego.

A composição escolar do grupo dos trabalhadores a tempo parcial subempregados é próxima da verificada em relação ao total da população de cada país. Há, no entanto, países em que essa relação é desproporcionada. Na Eslováquia, na Bulgária, na Roménia e na Islândia a percentagem desse grupo de trabalhadores com escolaridade básica é 32,6%, 30,9%, 29,3% e 14,4% mais elevada do que o nível de escolaridade apurado para o total da população de cada um desses países, respetivamente. Ou seja, as baixas qualificações escolares são aí especialmente penalizadoras.

No universo da população desencorajada o efeito da escolaridade é mais forte. Veja-se que a percentagem de desencorajados com o ensino básico no conjunto da UE é cerca de 44,3 p.p.. De notar que Portugal apresenta cerca de 62,1% da população desencorajada com o ensino básico, apenas ultrapassado por Malta, com cerca de 66,7%. Se a comparação tiver como referência a população com o ensino superior, conclui-se que a percentagem de desencorajados com esse perfil formativo na UE-28 representa cerca de 14,1%.. O título académico parece assumir-se, portanto, como um factor que mitiga significativamente as situações de desencorajamento laboral.

 

Quadro 2 - Composição de dois indicadores suplementares de desemprego, UE28, pop. 15-74 anos, por nível de escolaridade (2018) (%)

wdt_ID Países Subemprego Subemprego Subemprego Desencorajados Desencorajados Desencorajados Total da pop. (15-64 anos) Total da pop. (15-64 anos) Total da pop. (15-64 anos)
1 Básico Sec e PS Sup Básico Sec e PS Sup Básico Sec e PS Sup
2 Alemanha 19.3 60.4 20.0 36.4 46.2 15.8 19.6 55.0 25.1
3 Áustria 15.5 51.6 32.9 29.3 48.5 22.2 18.9 51.0 30.1
4 Bélgica 21.6 42.3 36.0 44.1 35.8 20.0 26.3 37.7 36.0
5 Bulgária 52.4 38.6 55.7 38.8 5.5 21.5 53.6 24.8
6 Chipre 17.9 39.7 41.9 25.3 46.8 29.1 21.9 38.7 39.4
7 Croácia 14.4 54.3 31.3 23.7 64.3 12.0 18.7 59.3 22.0
8 Dinamarca 25.6 41.9 28.9 49.5 30.5 15.5 25.3 39.8 31.7
9 Eslováquia 47.0 46.6 6.4 40.3 45.8 13.8 14.4 63.6 22.0
10 Eslovénia 8.8 59.5 31.6 26.1 55.9 17.1 16.4 54.9 28.7
Países Subemprego Subemprego Subemprego Desencorajados Desencorajados Desencorajados Total da pop. (15-64 anos) Total da pop. (15-64 anos) Total da pop. (15-64 anos)

Fonte: Employment and unemployment statistics e Education and training statistics – Labour Force Survey (Eurostat)

 

Atualizado por Inês Tavares

Ver dados Excel
image_print