O indicador At Risk of Poverty or Social Exclusion (AROPE), traduzido como “risco de pobreza ou exclusão social”, analisa-se aqui especificamente aplicado à população com limitação na realização de atividades, categoria que integra pessoas com deficiência ou incapacidade reconhecida, medida através da variável Global Activity Limitation Indicator (GALI) do inquérito europeu EU-SILC. A utilização deste filtro permite identificar desigualdades específicas enfrentadas por este grupo, nomeadamente no acesso ao emprego, ao rendimento e à participação social, fatores estruturalmente associados a maior vulnerabilidade socioeconómica.
A análise comparativa entre a população com e sem limitação da atividade é particularmente relevante do ponto de vista sociológico, uma vez que permite quantificar o diferencial de vulnerabilidade associado à deficiência, distinguindo até que ponto as desvantagens registadas resultam de condições estruturais próprias deste grupo ou de tendências mais amplas da sociedade portuguesa. A análise abrange o período entre 2016 e os dados mais recentes disponíveis, desagregando as três dimensões constitutivas do AROPE — risco de pobreza monetária, privação material e social severa e baixa intensidade laboral — de forma a identificar os mecanismos específicos de exclusão que mais afetam as pessoas com limitação na realização de atividades em Portugal.
A evolução da taxa de risco de pobreza ou exclusão social (AROPE) para a população com limitação da atividade mostra realidades muito diferentes entre os países europeus entre 2016 e 2025 (figura 1). Na média da União Europeia (UE27), o indicador registou uma grande estabilidade, iniciando o período em 30,1% e terminando em 28,8%, o que representa uma descida de 1,3 pontos percentuais (p.p.). Em comparação, Portugal apresentou uma redução mais acentuada ao longo destes dez anos, com menos 4,0 p.p., passando de 32,1% em 2016 para 28,1% em 2025. Esta evolução alterou a posição do país face ao contexto europeu. Se em 2016 Portugal estava 2,0 p.p. acima da média da UE27, a partir de 2018 inverteu essa tendência e passou a situar-se abaixo da linha média europeia. No final da série, em 2025, o valor de Portugal (28,1%) fixa-se ligeiramente abaixo dos 28,8% registados na média europeia.
A análise dos dados de 2025 permite também ordenar os países e identificar assimetrias importantes na Europa (ver documento Excel no final da página). No topo do ranking, com os níveis mais baixos de risco de pobreza ou exclusão social para esta população, encontra-se a Chéquia com 17,6%, seguida pela Eslováquia com 21,7% e pela Bélgica com 27,2%. No extremo oposto, com os valores mais elevados do ranking, destaca-se a Lituânia com 50,5%, seguida pela Letónia com 42,6%, pela Bulgária com 42,3% e pela Roménia com 37,0%. Neste alinhamento europeu, Portugal ocupa o 11.º lugar entre os 27 países em 2025, registando exatamente a mesma taxa de 28,1% que a Finlândia.
O período entre 2016 e 2025 ficou marcado por trajetórias nacionais distintas. Entre os países que registaram as maiores reduções absolutas do indicador destaca-se a Bulgária, que reduziu a sua taxa em 14,6 p.p. (passando de 56,9% para 42,3%), e a Bélgica, com um recuo de 9,0 p.p. Em sentido inverso, verificaram-se agravamentos importantes noutros países. A Lituânia registou o aumento mais expressivo da série, com uma subida de 6,5 p.p. no risco de pobreza e exclusão social deste grupo. A Croácia seguiu uma evolução semelhante, com o indicador a progredir de 33,2% para 39,8%, o que representa um acréscimo de 6,6 p.p. No horizonte de 2025, os dados demonstram que subsiste uma diferença de quase 33 pontos percentuais entre o país com a taxa mais baixa e o país com a taxa mais elevada da União Europeia, demonstrando que o grau de vulnerabilidade associado à limitação da atividade permanece disperso e condicionado pelo contexto nacional de cada país.
O indicador AROPE por nível de limitação da atividade permite analisar de que forma a deficiência influencia o risco de pobreza ou exclusão social. A desagregação entre população com e sem limitação torna possível identificar desigualdades estruturais associadas às condições de saúde e às dificuldades de integração económica e social.
Como se pode verificar através da Figura 2, a população com limitação da atividade apresenta, ao longo de todo o período analisado, valores de risco de pobreza ou exclusão social significativamente superiores aos observados entre a população sem limitação, em Portugal. Em 2016, o AROPE situava-se em 32,1% entre as pessoas com limitação, contrastando com 20,9% entre as pessoas sem limitação, o que correspondia a uma diferença de 11,2 pontos percentuais (p.p.), evidenciando desde o início uma desigualdade muito expressiva entre os dois grupos.
Entre 2016 e 2020, ambas as séries revelaram uma tendência gradual de redução do indicador. Entre a população com limitação, o AROPE diminuiu de 32,1% para 27,3% (uma redução de 4,8 p.p.), enquanto entre a população sem limitação o indicador desceu de 20,9% para 16,2% (uma diminuição de 4,7 p.p.). Em 2018, por exemplo, os valores situavam-se em 28,9% e 17,9%, respetivamente, mantendo-se o fosso de desigualdade nos 11,0 p.p. Esta evolução sugere uma melhoria gradual das condições socioeconómicas no período pré-pandémico, embora sem alterar o diferencial de vulnerabilidade associado à limitação.
A partir de 2020, observa-se uma instabilidade nos indicadores. Após o impacto pandémico em 2021, que fez subir o AROPE para 29,7% no grupo com limitação e para 18,5% no grupo sem limitação, o ano de 2022 registou uma recuperação com quedas para 26,4% e 16,7%, respetivamente. Em 2023, a tendência tendeu a estabilizar, fixando-se em 26,7% para a população com limitação e descendo ligeiramente para os 16,0% na população sem limitação.
Contudo, o biénio final da série (2024–2025) revela uma nova e preocupante inversão de comportamento. Em 2024, o risco de pobreza ou exclusão social disparou para os 28,5% na população com limitação, ao passo que se manteve praticamente estagnado nos 16,3% na população sem limitação. Esta assimetria agravou-se ainda mais no horizonte de 2025: enquanto o grupo sem limitação viu a sua vulnerabilidade recuar para o mínimo histórico da série (15,5%), a população com limitação permaneceu num patamar crítico de 28,1%.
Esta evolução divergente fez com que o fosso de desigualdade entre os dois grupos atingisse em 2025 o valor mais elevado de toda a década analisada, fixando-se nos 12,6 p.p. (superando os 11,2 p.p. registados em 2016). Em termos substantivos, o alargamento deste fosso no final da série temporal consolida a evidência de que a deficiência constitui um fator agravante de exclusão social em Portugal. Ao contrário da população geral, que demonstra maior resiliência e capacidade de recuperação económica, as pessoas com limitação continuam expostas a barreiras estruturais severas que impedem a progressão das suas condições de vida, perpetuando e aprofundando a distância social que as separa do resto da sociedade.
O risco de pobreza monetária corresponde à proporção da população com rendimentos inferiores a 60% da mediana nacional, refletindo insuficiência de recursos económicos relativamente ao padrão de vida predominante em cada país. Esta dimensão do AROPE permite analisar desigualdades económicas e vulnerabilidade financeira entre diferentes grupos sociais.
Como se pode verificar através da Figura 3, a população com limitação da atividade apresenta, ao longo de toda a série, valores de risco de pobreza monetária sistematicamente superiores aos observados entre a população sem limitação, em Portugal. Em 2016, o indicador situava-se em 23,5% entre as pessoas com limitação, enquanto entre as pessoas sem limitação o valor correspondia a 16,0%, evidenciando desde o início uma diferença significativa de 7,5 pontos percentuais (p.p.) entre os dois grupos.
Entre 2016 e 2020, ambas as séries revelam uma tendência gradual de redução do indicador. Entre a população com limitação, o risco de pobreza diminui de 23,5% para 20,3%, correspondendo a uma redução de 3,2 p.p., enquanto entre a população sem limitação o indicador passa de 16,0% para 13,6%, traduzindo uma diminuição de 2,4 p.p.. Em 2018, por exemplo, os valores situavam-se em 22,2% entre a população com limitação e 14,4% entre a população sem limitação, mantendo-se uma diferença elevada de 7,8 p.p. entre ambos os grupos. Esta evolução sugere uma melhoria gradual das condições económicas ao longo do período anterior à pandemia, ainda que sem alterar significativamente a desigualdade entre as duas populações.
Em 2021, observa-se um agravamento do indicador, particularmente entre a população com limitação, cujo valor sobe para 23,0%, enquanto entre a população sem limitação aumenta para 15,3%, refletindo os impactos económicos e sociais associados ao contexto pandémico. Nos anos seguintes, o indicador volta a apresentar alguma redução, embora sem eliminar as desigualdades persistentes. Em 2025, por exemplo, o risco de pobreza monetária mantém-se nos 21,7% entre a população com limitação, contrastando com 13,2% entre a população sem limitação. Comparando o primeiro e o último ano da série, verifica-se que, apesar da redução global dos valores em ambos os grupos, a diferença entre as duas populações aumenta de 7,5 p.p. em 2016 para 8,5 p.p. em 2025.
Assim, o gráfico sugere que, embora tenha existido uma melhoria geral das condições económicas ao longo da série, essa evolução não se traduziu numa redução efetiva das desigualdades associadas à limitação da atividade. Pelo contrário, a persistência e ligeiro agravamento da distância entre os dois grupos evidencia que os indivíduos com limitação continuam estruturalmente mais vulneráveis à pobreza monetária e enfrentam maiores dificuldades no acesso a rendimentos estáveis e suficientes para assegurar os meios mínimos de subsistência.
A privação material e social severa corresponde à incapacidade de aceder a bens, serviços e práticas consideradas socialmente essenciais, incluindo alimentação adequada, aquecimento da habitação, capacidade para suportar despesas inesperadas ou participação em atividades sociais. Esta dimensão do AROPE permite captar formas concretas de exclusão associadas às condições materiais de vida quotidiana.
Como se pode verificar através da Figura 4, a população com limitação da atividade apresenta, ao longo de toda a série, níveis de privação material e social severa substancialmente superiores aos observados entre a população sem limitação, em Portugal. Em 2016, o indicador situava-se em 13,3% entre as pessoas com limitação, valor mais do dobro dos 6,1% registados entre a população sem limitação, evidenciando desde o início uma desigualdade muito expressiva entre os dois grupos.
Entre 2016 e 2024, ambas as séries revelam uma tendência global de redução do indicador. Entre a população com limitação, a taxa diminui progressivamente de 13,3% para 8,9%, correspondendo a uma redução de 4,4 pontos percentuais (p.p.), enquanto entre a população sem limitação o indicador desce de 6,1% para 2,5%, traduzindo uma diminuição de 3,6 p.p.. Apesar desta melhoria global, a diferença proporcional entre os dois grupos mantém-se extremamente elevada ao longo de toda a série. Em 2024, por exemplo, a taxa de privação material e social severa entre a população com limitação continua a ser mais de três vezes superior à observada entre a população sem limitação (8,9% face a 2,5%).
Um dos aspetos mais relevantes desta dimensão prende-se com a relativa estabilidade do indicador durante o período pandémico. Ao contrário do observado noutras componentes do AROPE, a privação material e social severa não apresenta um agravamento expressivo entre 2020 e 2021. Entre a população com limitação, o indicador passa de 10,0% para 10,8%, enquanto entre a população sem limitação varia apenas de 3,3% para 3,6%, mantendo posteriormente uma trajetória descendente em ambos os grupos. Esta evolução poderá sugerir que as medidas de proteção social e os apoios extraordinários implementados durante a pandemia contribuíram para atenuar formas mais severas de privação material.
Nos anos mais recentes, a evolução das duas séries torna-se relativamente mais estável, embora persistam oscilações moderadas. Em 2025, por exemplo, a população com limitação apresenta ainda uma taxa de privação material e social severa de 9,4%, contrastando com apenas 2,8% entre a população sem limitação. Assim, apesar da redução global observada ao longo da série, as desigualdades entre ambos os grupos permanecem estruturalmente muito expressivas.
A baixa intensidade laboral corresponde à reduzida participação dos membros do agregado familiar no mercado de trabalho ao longo do ano, estando frequentemente associada a situações de dependência económica e exclusão social. Esta dimensão do AROPE permite avaliar desigualdades relacionadas com o acesso ao emprego, estabilidade laboral e integração económica das diferentes populações.
Como se pode verificar através da Figura 5, a população com limitação da atividade apresenta, ao longo de toda a série, valores de baixa intensidade laboral substancialmente superiores aos observados entre a população sem limitação, em Portugal. Em 2016, o indicador situava-se em 14,9% entre as pessoas com limitação, contrastando com 6,5% entre a população sem limitação, correspondendo a uma diferença de 8,4 pontos percentuais (p.p.), evidenciando desde o início uma desigualdade significativa no acesso ao mercado de trabalho.
Entre 2016 e 2020, ambas as séries revelam uma tendência gradual de redução. Entre a população com limitação, o indicador diminui de 14,9% para 9,6%, correspondendo a uma redução de 5,3 p.p., enquanto entre a população sem limitação desce de 6,5% para 3,7%, traduzindo uma diminuição de 2,8 p.p.. Esta evolução sugere uma melhoria progressiva da integração laboral em ambos os grupos, particularmente entre a população com limitação.
Contudo, é entre 2020 e 2022 que se observa a dinâmica mais relevante desta dimensão. Enquanto a população com limitação continua a apresentar uma redução gradual da baixa intensidade laboral, passando de 9,6% em 2020 para 9,2% em 2021 e 8,8% em 2022, a população sem limitação regista um ligeiro agravamento do indicador, aumentando de 3,7% para 4,1% em 2021 e 4,3% em 2022. Esta evolução distingue-se das restantes dimensões do AROPE, nas quais ambos os grupos tendem a seguir trajetórias semelhantes.
Embora a população com limitação continue a apresentar valores substancialmente superiores, esta dinâmica sugere uma redução parcial da distância entre os dois grupos e uma aproximação relativa ao mercado de trabalho durante o período pós-pandémico. A diferença entre ambas as populações diminui de 5,9 p.p. em 2020 para 4,5 p.p. em 2022, correspondendo ao menor diferencial observado em toda a série. Este resultado poderá refletir uma melhoria temporária da integração laboral da população com limitação ou um impacto mais expressivo das alterações do mercado de trabalho sobre a população sem limitação durante este período.
Contudo, esta trajetória altera-se significativamente nos anos mais recentes. Em 2023, o indicador sobe para 10,5% entre a população com limitação, agravando-se posteriormente para 13,0% em 2024 e 13,9% em 2025. Entre a população sem limitação, as oscilações são bastante mais moderadas, passando de 4,7% em 2023 para 3,0% em 2024 e 3,4% em 2025. O aumento particularmente expressivo entre a população com limitação sugere que a melhoria anteriormente observada não se encontrava estruturalmente consolidada, revelando uma elevada vulnerabilidade deste grupo às oscilações económicas e às transformações recentes do mercado de trabalho.
De forma geral, o gráfico evidencia que as desigualdades associadas à deficiência no acesso ao emprego permanecem estruturalmente significativas. Ainda que se observe uma redução temporária da distância entre os dois grupos, a evolução mais recente demonstra a fragilidade dessa aproximação e reforça a ideia de que a população com limitação continua particularmente exposta à precariedade laboral, dependência económica e exclusão do mercado de trabalho.
A decomposição das dimensões do AROPE permite compreender de forma mais detalhada os diferentes mecanismos associados à vulnerabilidade socioeconómica da população com limitação da atividade. A análise conjunta do risco de pobreza monetária, da privação material e social severa e da baixa intensidade laboral permite identificar as principais dimensões da exclusão social associada à deficiência, evidenciando que esta vulnerabilidade não se manifesta apenas numa única esfera, mas resulta da acumulação de diferentes formas de desvantagem económica, social e laboral.
Como se pode verificar através da Figura 6, as diferentes componentes do indicador AROPE apresentam trajetórias distintas ao longo da série, embora todas revelem níveis elevados de vulnerabilidade entre a população com limitação da atividade em Portugal. Entre as três dimensões analisadas, o risco de pobreza monetária corresponde consistentemente à componente mais expressiva, apresentando sempre os valores mais elevados. Em 2016, esta dimensão situava-se nos 23,5%, contrastando com 14,9% na baixa intensidade laboral e 13,3% na privação material e social severa. Estes resultados sugerem que a principal dimensão da vulnerabilidade associada à deficiência continua a relacionar-se com a insuficiência de rendimentos e a maior exposição à pobreza económica.
Nos anos seguintes, as três dimensões revelam uma tendência global de redução, embora com intensidades diferentes. Em 2020, o risco de pobreza monetária diminui para 20,3%, a privação material e social severa para 10,0% e a baixa intensidade laboral para 9,6%, sugerindo uma melhoria parcial das condições socioeconómicas da população com limitação. Contudo, a redução observada não elimina as desigualdades persistentes, mantendo-se valores elevados em todas as dimensões ao longo de toda a série.
A evolução das diferentes componentes evidencia também dinâmicas distintas durante e após o período pandémico. Enquanto a pobreza monetária apresenta um agravamento em 2021, subindo de 20,3% para 23,0%, a privação material e social severa mantém uma trajetória relativamente mais estável, passando apenas de 10,0% para 10,8%. Esta relativa estabilidade poderá sugerir que os mecanismos de proteção social implementados durante a pandemia contribuíram para atenuar formas mais severas de privação material.
Por sua vez, a baixa intensidade laboral apresenta a trajetória mais instável entre as três dimensões. Após uma redução significativa até 2022, atingindo 8,8%, o valor mais baixo da série, esta dimensão volta a agravar-se de forma expressiva em 2023, subindo para 10,5%. Esta evolução sugere que, apesar de uma aproximação temporária da população com limitação ao mercado de trabalho, essa integração permaneceu estruturalmente frágil e particularmente vulnerável às oscilações económicas mais recentes.
A comparação entre as três dimensões evidencia que a exclusão social associada à deficiência assume um caráter multidimensional. Embora a pobreza monetária constitua a dimensão mais persistente ao longo da série, os níveis elevados de privação material e baixa intensidade laboral demonstram que as desigualdades associadas à limitação da atividade ultrapassam a esfera do rendimento, afetando simultaneamente as condições materiais de vida, a estabilidade laboral e a participação social.
Desta forma, o gráfico sugere que a vulnerabilidade das pessoas com limitação não resulta de um único fator isolado, mas da acumulação de desvantagens económicas, laborais e sociais que tendem a reforçar-se mutuamente. Assim, a redução do risco de pobreza e exclusão social da população com deficiência não depende apenas do aumento do rendimento, exigindo igualmente políticas públicas integradas capazes de promover inclusão laboral, proteção social e melhoria das condições de vida.
Nota metodológica
Os dados utilizados neste indicador provêm do inquérito europeu EU-SILC (European Union Statistics on Income and Living Conditions), disponibilizados pelo Eurostat. A variável de limitação da atividade é operacionalizada através do Global Activity Limitation Indicator (GALI), que classifica os indivíduos em três categorias: sem limitação, com alguma limitação e com limitação grave. Neste indicador, as categorias “alguma limitação” e “limitação grave” são agregadas sob a designação “com limitação”, exceto nos gráficos em que a desagregação por grau está explicitamente indicada. Importa salientar que, a partir de 2021, o indicador de privação material severa foi substituído pelo indicador de privação material e social severa (Severe material and social deprivation), no âmbito da revisão metodológica do EU-SILC e da implementação do Regulamento (UE) 2019/1700. Esta alteração implicou mudanças nos itens considerados e nos procedimentos de recolha estatística, podendo afetar parcialmente a comparabilidade direta com anos anteriores. Importa ainda salvaguardar que, devido à impossibilidade de aceder aos valores absolutos (n) e ao facto de alguns cruzamentos multidimensionais incidirem sobre subgrupos populacionais de dimensão mais reduzida, as variações e estimativas de determinados indicadores devem ser interpretadas com a devida prudência.
Por fim, é registada uma quebra na série em Portugal no ano de 2024 (b — break in time series) que decorre de alterações nos métodos de recolha dos dados pelo INE, pelo que as variações nos indicadores económicos e laborais desse ano devem ser interpretadas com prudência.
Os dados foram extraídos do Eurostat em maio de 2026.
Elaborado por Marta Gentil.

