Tanto em percentagem do PIB, como em percentagem da despesa pública total, como em despesa por habitante, Portugal apresenta uma despesa em investigação e desenvolvimento inferior à média da UE28.

 

A despesa intramuros com as atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) refere-se ao “conjunto das despesas relativas à I&D executadas dentro da unidade estatística, independentemente da origem dos fundos” (metainformação – INE).

As estatísticas sobre ciência e tecnologia referentes à investigação e desenvolvimento são divididas em 4 principais setores de execução: as empresas, o ensino superior, o estado e as instituições privadas sem fins lucrativos, sendo que tanto no Quadro 1 como no Quadro 2 não são apresentados os dados para as instituições sem fins lucrativos uma vez que são muito pouco significativos.

Considera-se por investigação e desenvolvimento (I&D) “todo o trabalho criativo prosseguido de forma sistemática, com vista a ampliar o conjunto dos conhecimentos (…)” (metainformação – INE).

O Quadro 1 é referente à despesa em investigação e desenvolvimento em % do PIB, por setor de execução, para os países da UE28 em 2018, exceto a Suíça, que apenas tem valores para 2017.

Os países que apresentam maior despesa total em I&D são a Suécia, a Suíça, a Áustria, a Alemanha e a Dinamarca, todos com mais de 3% do PIB e os que apresentam valores mais reduzidos são a Roménia (0,51%), o Chipre e Malta (ambos com 0,55%). Portugal tem uma despesa de 1,35% do PIB, 0,77 pontos percentuais (p.p.) abaixo da média da UE28 (2,12%).

No caso português, a distribuição pelos diferentes setores de execução é de 0,69% nas empresas (menos 0,72 p.p. que a UE28), 0,57% no ensino superior (mais 0,11 p.p. que na UE28) e 0,08% no estado (menos 0,15 p.p. que na UE28).

Quando se analisa os setores de execução, percebe-se que, regra geral, dentro de cada país a maior fatia da despesa está nas empresas, seguido do ensino superior e depois do estado. Exceção desta tendência são a Estónia, a Lituânia, o Chipre e a Letónia, que apresentam valores para o ensino superior maiores que para as empresas e a Eslovénia, o Luxemburgo, a Bulgária e a Roménia, que apresentam valores superiores para o estado que para o ensino superior.

 

Quadro 1 - Despesa em investigação e desenvolvimento em % do PIB, por setor de execução, países da UE28 (2018) (%)

wdt_ID Países Empresas Ensino Superior Estado Total
1 Suécia 2.35 0.84 0.12 3.31
2 Suiça* 2.34 0.93 0.03 3.29
3 Áustria 2.22 0.71 0.23 3.17
4 Alemanha 2.16 0.56 0.42 3.13
5 Bélgica 1.95 0.54 0.26 2.76
6 Dinamarca 1.95 0.98 0.09 3.03
7 Finlândia 1.8 0.69 0.23 2.75
8 Holanda 1.45 0.59 0.13 2.16
9 Eslovénia 1.45 0.23 0.26 1.95
10 França 1.44 0.45 0.28 2.2
Países Empresas Ensino Superior Estado Total

Fonte: Research and development statistics (Eurostat)

* – valores de 2017

 

A Figura 1 respeita à evolução da despesa em investigação e desenvolvimento em % do PIB, na UE28 e em Portugal, entre 2000 e 2018. Como se pode constatar, a evolução da despesa na UE28 tem seguido uma tendência regular de aumento, exceto de 2003 para 2004, momento em que decresceu 0,04 p.p., de 2004 para 2005 e de 2009 para 2010, tendo diminuído em ambos os momentos 0,01 p.p..

Em Portugal observa-se um primeiro momento de descida de 2001 a 2003 de 0,06 p.p., seguido de um aumento desde 2003 até 2009 de 0,88 p.p. e de outro decréscimo entre 2009 e 2015 de 0,34 p.p.. A partir de 2015 até 2018, último ano em análise, foram registados aumentos, num total de 0,11 p.p.. De notar ainda a evolução em Portugal de 2005 para 2006 (0,19 p.p.), de 2006 para 2007 (0,17 p.p.), de 2007 para 2008 (0,32 p.p.) e de 2008 para 2009 (0,14 p.p.). Enquanto que nos restantes anos as variações anuais apresentam valores inferiores a 0,10 p.p., neste período existiu uma variação anual bastante significativa.

 

 

A Figura 2 ilustra as dotações orçamentais para despesa em investigação e desenvolvimento em % da despesa pública total nos países da UE28 em 2018, exceto a Suíça, cujos valores são de 2017.

Os países que apresentam maiores dotações orçamentais em percentagem da despesa pública total são a Suíça, a Islândia, a Alemanha e a Noruega, todos acima dos 2%. Inversamente, os países que apresentam dotações orçamentais mais reduzidas são a Roménia (0,49%), a Bulgária (0,56%), Malta e a Letónia (ambos com 0,57%). Portugal é dos países com dotações orçamentais mais baixas, tendo 0,8%, 0,6 p.p. abaixo da média da UE28 (1,4%).

 

* – dados para 2017

 

O Quadro 2 apresenta a despesa em investigação e desenvolvimento por habitante e por setor de execução nos países da UE28, em euros, para 2018, exceto a Suíça que apenas tem valores para 2017.

O país que apresenta um total de despesa por habitante mais elevado é a Suíça (2.355,9€), seguida da Dinamarca (1.580,9€) e da Suécia (1.540,7€). Os países com despesa por habitante mais reduzida são a Roménia (52,5€), a Bulgária (60€) e a Letónia (96,3€). A despesa por habitante da média da UE28 (656,5€) é mais do dobro da despesa portuguesa por habitante (267,5€), apresentando uma diferença de 389€.

A distribuição da despesa em investigação e desenvolvimento por habitante pelos setores de execução em Portugal é de 135,8€ nas empresas (menos 302€ que a média da UE28), 112,2€ no ensino superior (menos 30,9€ que a média da UE28) e 15,2€ no estado (menos 55,2€ que a média da UE28).

 

Quadro 2 - Despesa em investigação e desenvolvimento por habitante e setor de execução, países da UE28 (2018) (euros)

wdt_ID Países Empresas Educação Superior Estado Total
1 Suiça* 1,671.9 664.2 19.7 2,355.9
2 Suécia 1,092 391.1 55.9 1,540.7
3 Dinamarca 1,016 512.6 47.5 1,580.9
4 Áustria 969.9 311.5 99.2 1,388.1
5 Alemanha 870.9 224.3 170.3 1,265.4
6 Islândia 821.4 402.3 53.2 1,276.8
7 Bélgica 786.5 216 105.9 1,115
8 Finlândia 766.7 294.5 97.1 1,167.7
9 Noruega 747.3 495.8 196.8 1,439.9
10 Luxemburgo 674.4 246 287.9 1,208.3
Países Empresas Educação Superior Estado Total

Fonte: Research and development statistics (Eurostat)

* – valores para 2017

 

Elaborado por Inês Tavares

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