O Índice de Desenvolvimento de Género (GDI) e o Índice de Desigualdade de Género (GII) são os índices propostos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para avaliar a posição da mulher na sociedade. No entanto, estes dão-nos informações bastante distintas sobre as desigualdades de género: por um lado, o GDI serve-se dos mesmos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – longevidade, escolaridade e rendimento –, revelando se as conquistas de desenvolvimento humano se encontram distribuídas pelos dois géneros (ou seja, mostra o rácio das mulheres sobre os homens); por outro lado, o GII serve-se de componentes distintos – saúde reprodutiva, participação no mercado de trabalho e empoderamento –, formando um índice idealmente focado nas desigualdades de género, com maior atenção para o lado feminino.

 

O GDI não é propriamente um medidor das desigualdades de género, mas antes uma referência sobre a desvantagem (ou vantagem) das mulheres nas componentes do IDH. Como é um rácio, quanto mais próximo de 1 for o resultado, mais equilibrada a situação entre homens e mulheres se encontra, revelando não existir, por isso, grandes variações nos resultados do IDH para ambos os géneros; contrariamente, quanto mais próximo de 0, mais desequilibrados são os resultados do IDH entre homem e mulher.

O único país do mundo que apresenta um resultado “perfeito” (1.000) é a Ucrânia, embora haja muitos países que também se aproximem deste valor – Burundi (0.999), Eslovénia (1.001), República Dominicana (0.999), entre outros. Constata-se também que as mulheres se encontram numa posição vantajosa (>1.000) relativamente aos homens em 19 países da lista. Por sua vez, os países com os resultados menos satisfatórios são o Iémen (0.488) e o Afeganistão (0.660), o que significa que as mulheres estão muito atrás em termos de desenvolvimento humano nestes territórios.

 

Quadro 1 - Índice de Desenvolvimento de Género (GDI) (2019)

wdt_ID Países GDI
1 Letónia 1,036
2 Lituânia 1,030
3 Qatar 1,030
4 Mongólia 1,023
5 Panamá 1,019
6 Estónia 1,017
7 Uruguai 1,016
8 Lesoto 1,014
9 Moldávia 1,014
10 Nicarágua 1,012
Países GDI

Fonte: Human Development Report 2020 (PNUD)

 

Tendo em conta a média mundial (0.943), pode-se concluir que, embora as mulheres ainda estejam em desvantagem relativamente aos homens, os ganhos de desenvolvimento humano estão a ser distribuídos globalmente de forma quase equitativa. Se tivermos em conta as regiões do mundo, observa-se que os Estados Árabes (0.856) são os que têm um menor desenvolvimento de género, enquanto que a América Latina e as Caraíbas (0.978) apresentam o melhor resultado neste índice.

Curiosamente, se tivermos em conta as categorias por nível de IDH, conclui-se que o grupo de países com IDH Médio (0.835) atinge o resultado mais baixo no GDI, ficando atrás do grupo com IDH Baixo (0.861). Isto revela que os resultados do GDI contrariam a ideia de que ganhos ao nível do desenvolvimento humano podem não estar distribuídos por ambos os géneros. Assim, há que acrescentar que os resultados no GDI não têm, de uma maneira geral, uma grande variação, porque, as variações entre géneros nos indicadores do IDH não são chocantes, o que nos pode passar uma ideia errada sobre a situação feminina e nada nos revelar sobre as desigualdades sociais.

 

Quadro 2 - Índice de Desenvolvimento de Género (GDI) por categorias (2019)

wdt_ID Categorias GDI
1 Grupos de IDH
2 IDH muito elevado 0,981
3 IDH elevado 0,961
4 IDH médio 0,835
5 IDH baixo 0,861
7 Regiões
8 Estados Árabes 0,856
9 Ásia do Leste e Pacífico 0,961
10 Europa e Ásia Central 0,953
11 América Latina e Caraíbas 0,978
Categorias GDI

Fonte: Human Development Report 2020 (PNUD)

 

O PNUD procurou ir para além do GDI e formar um índice focado nas desigualdades de género através de indicadores em que a mulher, geralmente, encontra-se em desvantagem – daí que os resultados do GII mostrem mais variações. A lógica do GII é oposta à do GDI: quanto mais próximo de 0 forem os resultados, menos são as desigualdades de género num determinado território.

Ao contrário do GDI, não existe um país que atinja o resultado “perfeito” (0.000), embora haja alguns que estejam bastante próximos – Suíça (0.025), Dinamarca (0.038), Suécia (0.039), entre outros. Por outro lado, identificamos países cujos resultados se encontram distantes do 0, mostrando sociedades em que as mulheres estão em desvantagem – Iémen (0.795), Papua-Nova Guiné (0.725) e Chade (0.710), entre outros.

 

Quadro 3 - Índice de Desigualdade de Género (GII) (2019)

wdt_ID Países GII
1 Suíça 0,025
2 Dinamarca 0,038
3 Suécia 0,039
4 Bélgica 0,043
5 Países Baixos 0,043
6 Noruega 0,045
7 Finlândia 0,047
8 França 0,049
9 Islândia 0,058
10 Eslovénia 0,063
Países GII

Fonte: Human Development Report 2020 (PNUD)

 

Quando se tem em conta a média mundial (0.436), é notável que a situação feminina está bastante abaixo da masculina. Em termos geográficos, a Europa e Ásia Central (0.256) é a região com o melhor resultado neste indicador, enquanto que a África Subsariana (0.570) apresenta o resultado menos satisfatório. Relativamente às categorias por nível de IDH, constatamos, ao contrário do revelado pelo GDI, que quanto maior o nível de IDH, menores são as desigualdades de género – existe uma preocupante distância entre o grupo de países com IDH muito elevado (0.173) e os com IDH baixo (0.592).

 

Quadro 4 - Índice de Desigualdade de Género (GII) por categorias (2019)

wdt_ID Categorias GII
1 Grupos de IDH
2 IDH muito elevado 0,173
3 IDH elevado 0,340
4 IDH médio 0,501
5 IDH baixo 0,592
7 Regiões
8 Estados Árabes 0,518
9 Ásia do Leste e Pacífico 0,324
10 Europa e Ásia Central 0,256
11 América Latina e Caraíbas 0,389
Categorias GII

Fonte: Human Development Report 2020 (PNUD)

 

Evolução do GDI e do GII em Portugal

No primeiro cálculo do GDI em 1995, Portugal já assegurava um bom resultado, alcançando 0.972, que evoluiu para 0.988 em 2019. Constata-se, assim, que os ganhos do desenvolvimento humano se encontram distribuídos de forma quase equitativa por ambos os géneros.

Quando nos viramos para o GII, a evolução é mais impressionante. Em 24 anos, Portugal evolui de 0.221, em 1995, para 0.075, em 2019, estando na lista dos países com melhores resultados no índice.

 

Atualizado por Tânia Liberato

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