O Índice de Desenvolvimento de Género (GDI) e o Índice de Desigualdade de Género (GII) são os índices propostos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para avaliar a posição da mulher na sociedade. No entanto, estes dão-nos informações bastante distintas sobre as desigualdades de género: por um lado, o GDI serve-se dos mesmos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – longevidade, escolaridade e rendimento –, revelando se as conquistas de desenvolvimento humano se encontram distribuídas pelos dois géneros (ou seja, mostra o rácio das mulheres sobre os homens); por outro lado, o GII serve-se de componentes distintos – saúde reprodutiva, participação no mercado de trabalho e empoderamento –, formando um índice idealmente focado nas desigualdades de género, com maior atenção para o lado feminino.

 

O GDI não é propriamente um medidor das desigualdades de género, mas antes uma referência sobre a desvantagem (ou vantagem) das mulheres nas componentes do IDH. Como é um rácio, quanto mais próximo de 1 for o resultado, mais equilibrada a situação entre homens e mulheres se encontra, revelando não existir, por isso, grandes variações nos resultados do IDH para ambos os géneros; contrariamente, quanto mais próximo de 0, mais desequilibrados são os resultados do IDH entre homem e mulher.

 

Quadro 1 - Índice de Desenvolvimento de Género (GDI) (2023)

wdt_ID Países GDI
1 Ucrânia 1,038
2 Catar 1,036
3 Barbados 1,035
4 Antígua e Barbuda 1,031
5 Mongólia 1,03
6 Moldávia 1,029
7 Letónia 1,026
8 República Dominicana 1,024
9 Estónia 1,023
10 Federação Russa 1,023
Países GDI

Fonte: Human Development Report 2025 (PNUD)

 

Contrariamente ao ano de 2019, no qual, o único país do mundo que apresentava um resultado “perfeito” (1,000) era a Ucrânia, em 2023 apenas Portugal e a Bulgária apresentam um valor “exemplar”. Por sua vez, os países que continuam com os resultados menos satisfatórios são o Iémen (0,407) e o Afeganistão (0,660), o que significa que as mulheres estão muito atrás em termos de desenvolvimento humano nestes territórios.

 

Quadro 2 - Índice de Desenvolvimento de Género (GDI) por categorias (2023)

wdt_ID Categorias GDI
1 Grupos de IDH
2 IDH muito elevado 0,989
3 IDH elevado 0,971
4 IDH médio 0,883
5 IDH baixo 0,836
7 Regiões
8 OCDE 0,986
9 Estados Árabes 0,871
10 Ásia do Leste e Pacífico 0,973
11 Europa e Ásia Central 0,97
12 América Latina e Caraíbas 0,989
13 Ásia do Sul 0,872
15 África Subsariana 0,916
16 Média Mundial 0,955
Categorias GDI

Fonte: Human Development Report 2025 (PNUD)

 

Tendo em conta a média mundial (0,955), pode-se concluir que, embora as mulheres ainda estejam em desvantagem relativamente aos homens, os ganhos de desenvolvimento humano estão a ser distribuídos globalmente de forma quase equitativa. Se tivermos em conta as regiões do mundo, observa-se que os Estados Árabes (0,871) e a Ásia do Sul (0,852) são as que têm um menor desenvolvimento de género, enquanto a América Latina e as Caraíbas (0,989) apresentam o melhor resultado neste índice. Relativamente às categorias por nível de IDH, concluiu-se que o grupo de países com IDH Muito Elevado (0,989) atingiu o melhor resultado no GDI, sendo seguido pelo grupo de países com IDH Elevado (0,971).

 

Quadro 3 - Índice de Desigualdade de Género (GII) (2023)

wdt_ID Países GII
1 Dinamarca 0,003
2 Noruega 0,004
3 Suécia 0,007
4 Suíça 0,01
5 Países Baixos 0,013
6 Finlândia 0,021
7 Islândia 0,024
8 Bélgica 0,031
9 Singapura 0,031
10 Áustria 0,033
Países GII

Fonte: Human Development Report 2025 (PNUD)

 

O PNUD procurou ir para além do GDI e formar um índice focado nas desigualdades de género através de indicadores em que a mulher, geralmente, encontra-se em desvantagem – daí que os resultados do GII mostrem mais variações. A lógica do GII é oposta à do GDI: quanto mais próximo de 0 forem os resultados, menos são as desigualdades de género num determinado território.

À semelhança do GDI, não existe um país no ano de 2023 que atinja o resultado “perfeito” (0,000), embora haja alguns que estejam bastante próximos – Dinamarca (0,003), Noruega (0,004), Suécia (0,007), entre outros. Por outro lado, identificamos países cujos resultados se encontram muito distantes do 0, mostrando sociedades em que as mulheres estão em desvantagem – Iémen (0,838), Nigéria (0,677) e Somália (0,675), entre outros.

 

Quadro 4 - Índice de Desigualdade de Género (GII) por categorias (2023)

wdt_ID Categorias GII
1 Grupos de IDH
2 IDH muito elevado 0,125
3 IDH elevado 0,334
4 IDH médio 0,513
5 IDH baixo 0,571
7 Regiões
8 OCDE 0,192
9 Estados Árabes 0,539
10 Ásia do Leste e Pacífico 0,315
11 Europa e Ásia Central 0,226
12 América Latina e Caraíbas 0,384
13 Ásia do Sul 0,458
15 África Subsariana 0,558
16 Média Mundial 0,455
Categorias GII

Fonte: Human Development Report 2025 (PNUD)

 

Quando se tem em conta a média mundial (0,455), é notável que a situação feminina está bastante abaixo da masculina. Em termos geográficos, a OCDE (0,192) é a região com o melhor resultado neste indicador, enquanto que a África Subsariana (0,558) apresenta o resultado menos satisfatório. Relativamente às categorias por nível de IDH, constatamos que quanto maior o nível de IDH, menores são as desigualdades de género – existe uma preocupante distância entre o grupo de países com IDH muito elevado (0,125) e os com IDH baixo (0,571).

 

Evolução do GDI e do GII em Portugal

No primeiro cálculo do GDI em 1995, Portugal já assegurava um bom resultado, alcançando 0,981, que evoluiu para 1,002 em 2023. Constata-se, assim, que os ganhos do desenvolvimento humano se encontram distribuídos de forma quase equitativa por ambos os géneros.

 

 

Quando nos viramos para o GII, a evolução é mais impressionante. Em 26 anos, Portugal evolui de 0,228, em 1995, para 0,076, em 2023, estando na lista dos países com melhores resultados no índice. Contudo, regista-se um piorar da situação desde 2022, quando o valor sobe pela primeira vez desde 1999.

 

 

Efetivamente, Portugal tem alcançado progressos no combate à desigualdade de género, em matérias ligadas à educação (a instrução no ensino superior está a aumentar, tanto nas mulheres como nos homens), à tomada de decisões económicas (a presença de mulheres no conselho de administração do banco de Portugal aumentou, bem como nos conselhos de administração das maiores empresas cotadas), e ao equilíbrio de género na tomada de decisões políticas (a quota de mulheres entre ministros e membros do parlamento aumentou – Portugal tem cerca de 37% de mulheres representadas no parlamento). Deste modo, pode-se afirmar que os fatores culturais (culturas mais igualitárias tendem a ser consideradas mais propensas a aumentar o número de mulheres na política) e os fatores institucionais (tipos de sistemas eleitorais – sistemas de representação proporcional, quotas de género e partidos políticos – ideologia, procedimentos de seleção e recrutamento de candidatos) explicam o número de mulheres envolvidas na vida política.

 

Atualizado por Adriana Albuquerque

Refeito em 2023 por Maria Francisca Botelho

Atualizado por Tânia Liberato

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