Em Portugal, a taxa de desemprego aumentou consecutivamente até 2013, ano em que começou a diminuir progressivamente até 2020, ano em que aumentou 0,3 pontos percentuais.

 

O Gráfico 1 dá conta da evolução das taxas de crescimento real do PIB per capita e da taxa de desemprego em Portugal, entre 2002 e 2018. Existe uma relação entre o ritmo do crescimento económico e a evolução do desemprego. A situação do desemprego agrava-se ou melhora, regra geral, conforme se verifique um crescimento ou uma quebra da taxa de evolução do PIB. A contração do crescimento do PIB em 2003 foi acompanhado por um aumento do desemprego em cerca de 1,6 pontos. Ao longo da série, os níveis de desemprego foram consecutivamente aumentando até 2013, ano em que a taxa de desemprego começa progressivamente a descer até 2020, ano em que aumenta ligeiramente (0,3 pontos percentuais). No entanto, o PIB diminui significativamente entre 2019 e 2020 (de 2,5 para -7,8, cerca de -10,3 pontos percentuais), resultado da crise pandémica verificada neste último ano.

 

 

O Gráfico 2 permite analisar a evolução da taxa de desemprego, entre 1998 e 2020, segundo o sexo. Com exceção do ano de 2012, em que os homens apresentam uma taxa de desemprego 0,1% superior à das mulheres, estas são sempre mais afetadas pelo desemprego que os homens. Porém, desde 2011 que tem sido evidente uma aproximação do nível de desemprego masculino e feminino. Em 2013, a taxa de desemprego feminina e masculina (com uma diferença de 0,3 pontos) atinge os 16,2%, o valor mais elevado de toda a série temporal. A partir deste ano tem diminuído progressivamente até 2019, tendo sofrido um aumento de 0,3 pontos percentuais de 2019 para 2020, encontrando-se neste último ano nos 6,8%, assumindo a taxa de desemprego feminina 7,1% e a masculina 6,5%. É de notar que de 2019 para 2020 a taxa de desemprego aumentou no total (0,3 p.p.) e nos homens (0,7 p.p.) mas manteve-se nas mulheres.

 

 

O Quadro 1 ilustra a evolução do número do número de empregados e desempregados em Portugal. No período considerado, 2013 marca o ano onde o número de população empregada é o menor (4429,4 milhares) e o número de desempregados é o maior (855,2 milhares). De 2007 a 2013, existem menos 740,3 mil pessoas empregadas e mais 406,6 mil desempregadas. No entanto, os valores parecem inverter esta trajetória a partir de 2013, sendo que no período 2013-2019 verificou-se um aumento de 483,7 mil pessoas empregadas e uma diminuição de 515,7 mil pessoas desempregadas. No entanto, de 2019 para 2020 verificou-se uma diminuição de -99 mil pessoas empregadas e um aumento de 11,4 mil pessoas desempregadas.

Se no número de população desempregada, 2019 é o melhor ano da série, atingindo o número mais baixo desde 2009, o mesmo não se verifica na população empregada, cujos valores de 2019 se mantém inferiores aos de 2007, 2008, 2009 ou 2010.

 

Quadro 1 - Evolução do número de empregados e desempregados por sexo, Portugal (2007-2020) (milhares)

wdt_ID Anos População empregada População empregada População empregada População desempregada População desempregada População desempregada
1 Anos Total H M Total H M
2 2007 5093 2725 2367 441 192 248
3 2008 5117 2725 2391 418 189 229
4 2009 4969 2612 2357 517 253 265
5 2010 4898 2569 2329 591 278 314
6 2011 4740 2487 2253 688 350 338
7 2012 4547 2357 2190 836 434 402
8 2013 4429 2288 2141 855 436 419
9 2014 4500 2320 2180 726 362 365
10 2015 4549 2334 2214 647 323 324
Anos População empregada População empregada População empregada População desempregada População desempregada População desempregada

Fonte: Estatísticas do mercado de trabalho – Inquérito ao Emprego (INE)

 

Do total da população desempregada, cerca de 48,7% é do sexo masculino. A maioria dos desempregados (26,3%) encontram-se no escalão etário dos 25 aos 34 anos, tanto a nível concreto como relativo.

Ao analisar o nível de escolaridade, a população com maiores níveis de desemprego possui o ensino secundário ou pós-secundário (32,2%), embora quando se junta o ensino básico (1º, 2º e 3º ciclo), este assume a taxa de desemprego mais elevada (43,4%). Estes valores, no entanto, podem ser enganadores, uma vez que não têm em conta a proporção da população com cada um desde graus de escolaridade.

Compreende-se que é no Norte e na Área Metropolitana de Lisboa onde se concentra maior percentagem de população desempregada, 35,7% e 30,6%, respetivamente.

 

Quadro 2 - Decomposição do desemprego, Portugal (2020)

wdt_ID Variáveis Nº de desempregados (milhares Peso relativo Taxa de desemprego (%)
1 Total 350,9 100,0 6,8
2 Homens 170,8 48,7 6,5
3 Mulheres 180,2 51,4 7,1
4 Idade
5 15-24 anos 74,6 21,5 22,6
6 25-34 anos 91,4 26,3 9,2
7 35-44 anos 63,3 18,2 4,9
8 45-54 anos 63,9 18,4 4,7
9 55-64 anos 53,8 15,5 5,9
10 65 ou mais anos - - -
Variáveis Nº de desempregados (milhares Peso relativo Taxa de desemprego (%)

Fonte: Estatísticas do mercado de trabalho – Inquérito ao Emprego (INE)

 

Em 2020, a população desempregada à procura de novo emprego, que deixou o último emprego há 8 ou menos anos, abrangia 302,4 milhares de pessoas.

A composição do desemprego segundo o setor da atividade anterior revela que é nos serviços onde existe mais população desempregada (223 milhares).

 

Quadro 3 - População desempregada à procura de novo emprego, que deixou o último emprego há 8 ou menos anos, por setor de atividade anterior, por sexo, Portugal (2020)

wdt_ID Setor de atividade Total H M
1 Total 302,4 148,0 154,4
2 Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca 5,6 - -
3 Indústria, construção, energia e água 73,8 47,6 26,2
4 Serviços 223,0 96,5 126,5
Setor de atividade Total H M

Fonte: Estatísticas do mercado de trabalho – Inquérito ao Emprego (INE)

 

Atualizado por Inês Tavares

Ver dados Excel
image_print